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  • Golpe de voz clonada: o que orientar antes da viagem

    Golpe de voz clonada: o que orientar antes da viagem

    Para evitar o golpe de voz clonada em viagem, combine duas coisas com o cliente antes do embarque. Uma palavra-código com a família. E uma regra: ligação urgente pedindo dinheiro se desliga, e a confirmação é feita ligando de volta para o número que já está salvo.

    Resumo rápido

    • Para clonar uma voz basta um áudio curto, que pode sair de algo publicado na internet, como um vídeo.
    • A defesa não é reconhecer a voz: é a palavra-código e a ligação de volta para o número conhecido.
    • Na agência, dado de pagamento não muda por áudio nem por ligação sem confirmar no contato do cadastro.

    O que é o golpe de voz clonada?

    É a ligação de emergência falsa feita com a voz de alguém da família, gerada por inteligência artificial. Quem atende ouve o filho, a mãe ou o neto pedindo ajuda e reage como qualquer pessoa reagiria: tenta resolver na hora.

    A Fox News contou, no dia 7 de outubro, o caso de uma mãe na Califórnia que ouviu a filha chorando ao telefone. Ela ficou cinco horas e meia na linha com o golpista e fez quatro transferências com todo o dinheiro que ela e o marido tinham disponível. A filha estava no trabalho, bem. A mãe acredita que ouviu uma versão da voz dela feita por IA.

    O que mais me chama atenção é o pouco que o golpe exige. Segundo o alerta da FTC, o órgão de defesa do consumidor dos Estados Unidos, o golpista precisa de um áudio curto da voz da pessoa, que pode sair de algo publicado na internet, e de um programa de clonagem. Só isso.

    Slide com o alerta da FTC: para clonar a voz, basta um trecho curto de áudio da pessoa, que pode sair de algo publicado na internet

    Por que isso entra na orientação pré-viagem?

    Porque a viagem junta tudo o que o golpe precisa. O viajante está longe, às vezes em outro fuso, com o celular no modo avião ou sem sinal. A família em casa demora a conseguir falar com ele. E, no meio da viagem, todo mundo posta vídeo: a voz fica publicada, pronta para quem quiser copiar.

    Não estou dizendo que todo cliente vai receber uma ligação dessas. Estou dizendo que a agência já faz a orientação pré-viagem. Já explica documento, seguro, bagagem, horário de apresentação no aeroporto. Cinco minutos a mais sobre a voz clonada cabem nessa conversa sem assustar ninguém.

    E tem um ganho que vai além da segurança. O cliente percebe que a agência pensou num risco que ele nem sabia que existia. Esse é o tipo de cuidado que diferencia quem vende viagem de quem só emite bilhete.

    O que orientar o cliente a combinar com a família?

    Quatro combinados simples, de preferência por escrito, junto com os documentos da viagem.

    • Uma palavra-código. Uma palavra ou frase que só a família conhece e que nunca apareceu em rede social. A recomendação é do FBI. Quem liga pedindo ajuda tem que saber a palavra.
    • Ligação urgente pedindo dinheiro se desliga. Sem discutir, sem negociar. A pressa é a ferramenta do golpista.
    • A confirmação é ligar de volta. Para o número que já está salvo no celular, nunca para o que ligou. É o que a FTC recomenda: não confiar na voz e falar com a pessoa num número que você sabe que é dela. Se não conseguir, tentar por outro parente ou amigo.
    • Roteiro e telefone do hotel com quem fica. Se o viajante não atende, a família tem outro caminho para confirmar que está tudo bem.
    Slide com o combinado com a família antes de embarcar: palavra-código, desligar a ligação urgente pedindo dinheiro, ligar de volta no número salvo e deixar o roteiro com quem fica

    Vale também ensinar dois sinais de alerta. O primeiro é o pedido de segredo: “não conta para ninguém”. O segundo é a forma de pagamento. A FTC cita transferência, criptomoeda e cartão-presente como meios que golpistas preferem, porque o dinheiro é difícil de recuperar.

    Na prática, a mensagem pode ser curta. Algo como: “Antes de embarcar, combine com a sua família uma palavra-código. Se alguém ligar com a sua voz pedindo dinheiro com urgência, a regra é desligar e ligar de volta para o seu número salvo. Deixamos com você o roteiro e o telefone do hotel para entregar a quem fica.” Adapte ao jeito da sua agência e mande junto com o voucher.

    Slide com a palavra-código, a pergunta que o clone não responde, e um bilhete na geladeira com a palavra coberta por um adesivo roxo

    E dentro da agência, o que muda?

    A mesma lógica vale para o balcão e para o WhatsApp da agência. A regra que eu proponho é uma só: dado de pagamento não muda por áudio nem por ligação sem confirmação no contato que está no cadastro.

    Pense em três situações. O “cliente” manda um áudio pedindo para trocar o cartão da reserva. Um “fornecedor” liga avisando que a conta para depósito mudou. Alguém da família do passageiro pede para mandar o reembolso para outra chave pix. Em todas, o caminho é o mesmo: agradecer, não mexer em nada e ligar para o contato que já estava registrado antes do pedido.

    Slide com a regra da agência: dado de pagamento não muda por áudio, e a confirmação é feita no contato do cadastro

    Uma dica que funciona bem: avisar o cliente com antecedência. Uma linha na proposta ou no contrato, dizendo que a agência nunca pede mudança de pagamento por áudio ou ligação. Assim, se alguém tentar usar o nome da agência, o cliente já sabe que tem algo errado.

    Isso não depende de ferramenta nenhuma. Depende de a equipe inteira conhecer a regra e de ninguém abrir exceção porque “a voz era igualzinha”.

    Uma chamada de vídeo resolve a dúvida?

    Hoje ajuda, mas eu não colocaria a segurança da família nela. A tecnologia de vídeo ao vivo está avançando rápido. A Tavus publicou no dia 1º de outubro um teste do Griffin, um modelo ainda em prévia de pesquisa: 48% das pessoas que conversaram com ele acharam que tinham falado com um humano. Foram 26 de 54 participantes. No modelo anterior da empresa, eram 2,4%.

    Slide com o teste da Tavus: 48% acharam que conversavam com uma pessoa de verdade, contra 2,4% no modelo anterior

    Por isso a orientação não pode depender de reconhecer voz ou rosto. Depende de um combinado que a máquina não adivinha e de um gesto que o golpista não controla: desligar e ligar de volta.

    A IA vai continuar melhorando. A regra continua simples. E quem explica essa regra para o cliente, antes de ele viajar, é o agente de viagens.

    Perguntas frequentes

    Como saber se a voz ao telefone é clonada por IA?

    Muitas vezes não dá para saber pelo som. Por isso a recomendação é não confiar na voz: desligar e ligar de volta para o número que você já tem salvo, ou pedir a palavra-código combinada.

    Quanto áudio é preciso para clonar uma voz?

    Segundo a FTC, um áudio curto basta, e ele pode sair de conteúdo publicado na internet, como um vídeo em rede social.

    O que é a palavra-código da família?

    É uma palavra ou frase secreta, combinada antes, que só a família conhece. Quem liga pedindo ajuda precisa saber a palavra. O FBI recomenda o combinado para confirmar a identidade de quem liga.

    A agência de viagens deve falar disso com o cliente?

    Eu acredito que sim. A orientação pré-viagem já cobre documento, seguro e bagagem. Cinco minutos sobre a voz clonada protegem o cliente e a família dele, e mostram que a agência cuida de detalhes que ninguém mais lembrou.

  • Check-in pelo ChatGPT: o que fica com o agente de viagens

    Check-in pelo ChatGPT: o que fica com o agente de viagens

    A Gol libera o check-in pelo ChatGPT em 19 de outubro, e isso mostra para onde as companhias aéreas estão indo: a conversa do cliente, com o processo junto. O que fica com o agente de viagens, e cresce, é consultoria e acompanhamento antes, durante e depois do voo.

    Resumo rápido

    • Check-in no ChatGPT, Apple Pay no app e Wi-Fi grátis a bordo ligado ao programa de fidelidade: as companhias aéreas estão levando o processo para onde o cliente já conversa.
    • Emitir bilhete e fazer check-in viraram passo a passo. Entender quem viaja e aparecer na hora certa, não.
    • Mais abaixo: um roteiro de pós-venda em cinco momentos e uma mensagem pronta para o dia do embarque.

    O que as companhias aéreas estão levando para a conversa do cliente?

    O processo. Três notícias da mesma semana mostram o movimento.

    A Gol libera o check-in pelo ChatGPT para toda a base de clientes em 19 de outubro. O passageiro digita @gol, faz login no ambiente oficial da companhia, escolhe o assento e sai com o cartão de embarque. Vale até para quem usa a versão gratuita.

    A LATAM passou a aceitar Apple Pay no aplicativo, para voo, assento, bagagem e até seguro viagem.

    E o Wi-Fi grátis a bordo ganhou data. A American vai levar a internet da Starlink para mais de mil aviões. A KLM está ampliando a internet grátis para os voos intercontinentais, com acesso pelo login no Flying Blue, o programa de fidelidade dela. A Royal Air Maroc vai instalar o serviço em 41 aviões, grátis para quem está no Safar Flyer. Nas três, as instalações começam em 2027 e vão ser graduais.

    Repara no desenho. O cliente vai fazer o check-in conversando, pagar com um toque e passar o voo conectado, identificado na conta da companhia.

    Slide do carrossel com os três passos do check-in da Gol pelo ChatGPT: digitar @gol, fazer login no ambiente oficial da companhia e sair com o cartão de embarque com QR Code

    Por que a companhia aérea quer estar na conversa do cliente?

    Porque é ali que o cliente já está.

    Na apresentação da novidade, o CIO da Gol lembrou que a companhia foi a primeira a permitir check-in pela internet no Brasil. E disse que a integração com o ChatGPT “pode ser facilmente automatizada com a criação de agentes”.

    Agentes de IA. Não de viagens.

    Eu entrei no turismo pela porta da companhia aérea: aos 17, estagiário na central de reservas da TAM. Desde então, vi o check-in mudar de endereço mais de uma vez. Do balcão do aeroporto para o site, do site para o aplicativo. Agora vai para dentro de um chat.

    Cada mudança dessas tirou um pedaço do operacional das mãos de alguém e, ao mesmo tempo, deixou mais claro o que nunca mudou de endereço: a confiança do cliente em quem cuida da viagem dele.

    Tudo o que é processo vai para onde o cliente já conversa, feito pela própria companhia. Check-in, assento, pagamento. Com o Wi-Fi ligado ao programa de fidelidade, até as horas de voo, que costumavam ser o momento em que o cliente ficava fora do ar, passam a acontecer dentro do ambiente da companhia aérea.

    Isso não me assusta. Me dá clareza.

    O que fica com o agente de viagens quando o processo vai para o chat?

    Consultoria e acompanhamento. Tudo o que depende de entender quem viaja e de estar presente na hora certa.

    Emitir bilhete, muita gente emite. Fazer check-in, agora até o ChatGPT faz. O que a companhia não leva para o chat é a pergunta certa antes da compra: quem vai viajar, com quem, para quê e o que não pode dar errado nessa viagem.

    Um exemplo pequeno, tirado da própria notícia. No check-in pelo ChatGPT, o passageiro escolhe o assento, mas a marcação antecipada tem custo. Vale pagar? Depende de quem viaja. Para uma família com criança pequena que quer sentar junto, provavelmente sim. Para quem vai sozinho num voo curto, talvez não faça diferença. A IA executa a escolha. Quem ajuda o cliente a decidir é você.

    A minha leitura é que cliente não volta por causa do check-in. Volta porque alguém acertou a viagem. Revisou o detalhe. Apareceu quando ele precisou.

    Por isso não vejo essas notícias como ameaça. A tecnologia leva o processo e devolve tempo, e eu colocaria esse tempo inteiro no acompanhamento.

    Tecnologia como meio, não como fim.

    Slide do carrossel comparando o que cada um leva para a conversa: a companhia aérea leva check-in, assento e pagamento; a agência leva consultoria

    Roteiro de pós-venda: como acompanhar o cliente antes, durante e depois do voo

    A agência que some depois da emissão vira intermediária. A que acompanha vira parte da viagem.

    Na prática, eu dividiria o pós-venda em cinco momentos, sempre com uma regra: cada mensagem precisa ter motivo para existir.

    1. Na emissão: deixe a viagem pronta para o que vem

    Confira se o cliente tem conta no programa de fidelidade da companhia e se o número está na reserva. Na KLM e na Royal Air Maroc, ser membro do programa vai ser a chave do Wi-Fi grátis. Na mesma conversa, pergunte por onde ele prefere receber os avisos da viagem.

    2. Na semana do voo: oriente antes que ele pergunte

    Uma mensagem curta com horário, bagagem incluída, documentos e o caminho do check-in (se o voo for da Gol, conte que dá para fazer pelo ChatGPT). Se o assento importa, resolva agora, com calma, e não minutos antes de sair de casa.

    3. No dia do embarque: o WhatsApp que mais pesa

    Para mim, é a mensagem mais importante do pós-venda. Pode copiar e ajustar ao seu jeito de falar:

    “Bom dia, [nome]! Hoje é dia de voo. Se fizer o check-in pelo ChatGPT ou pelo app, me manda um print do cartão de embarque que eu confiro nome, horário e assento com você. Qualquer imprevisto no aeroporto, me chama aqui. Boa viagem!”

    Veja que a mensagem não disputa com a tecnologia: deixa o cliente usar a ferramenta que preferir e coloca você como a segunda conferência, a que pega o erro antes da hora.

    4. Durante a viagem: presença sem barulho

    Uma mensagem na chegada e um lembrete na véspera do que estiver marcado, como transfer ou passeio. Mais que isso vira ruído.

    Quando o avião do cliente tiver internet, ele vai poder responder até do voo. Eu não usaria isso para mandar mais mensagens. Usaria para mandar a certa: se o voo atrasou e a conexão ficou apertada, ele lê o seu plano B antes de pousar.

    5. Na volta: feche o ciclo e prepare a próxima

    Dois ou três dias depois do retorno, pergunte como foi. Nada de formulário. Conversa: o que ele repetiria, o que mudaria, se o assento fez diferença.

    Anote tudo na ficha do cliente. A próxima cotação começa ali, com o que ele te contou, e não com o que um sistema adivinhou.

    Slide do carrossel com uma lupa sobre um cartão de embarque e o aviso de que a IA pode errar, por isso é preciso revisar o check-in feito pelo ChatGPT

    Check-in pelo ChatGPT: como explicar ao cliente que a IA pode errar

    Sem brigar com a ferramenta. O cliente vai usar o ChatGPT, e é bom que use. O seu papel é ser a conferência.

    O próprio Melhores Destinos, ao noticiar o check-in da Gol, lembrou que a inteligência artificial pode errar e pediu atenção redobrada aos detalhes.

    Na conversa, eu diria três coisas:

    • Pode usar. É prático, e a Gol informa que o login acontece numa aba do ambiente oficial dela, sem o ChatGPT acessar a senha.
    • Confere o básico. Nome, data, horário, assento e bagagem. Se algo estiver diferente da reserva, para e me chama.
    • Me manda o cartão. Eu prefiro que o erro apareça aqui na conversa, e não no portão de embarque.

    Dito desse jeito, a IA não vira vilã nem concorrente. Vira ferramenta do cliente, com um agente olhando junto.

    E na sua agência: quem fala com o cliente no dia do embarque?

    Se este texto fez sentido, manda para aquele colega que ainda some depois da emissão. A companhia aérea já entrou na conversa do cliente. A agência precisa estar lá também, com o que a companhia não tem.

    Perguntas frequentes

    Como funciona o check-in pelo ChatGPT da Gol?

    A partir de 19 de outubro, o passageiro digita @gol no ChatGPT, faz login numa aba do ambiente oficial da Gol, escolhe o assento e gera o cartão de embarque com QR Code. Funciona também na versão gratuita, sem custo adicional pela função.

    É seguro fazer o check-in pelo ChatGPT?

    Segundo a Gol, o login acontece no ambiente oficial e criptografado da companhia, e o ChatGPT não acessa as credenciais do passageiro. Como a IA pode errar, vale conferir nome, data, horário e assento antes de ir para o aeroporto.

    O Wi-Fi grátis no avião muda alguma coisa para a agência?

    Muda onde o cliente passa o voo: conectado e, na KLM e na Royal Air Maroc, identificado pelo programa de fidelidade. Para a agência, é mais um motivo para não sumir depois da emissão.

    O que o agente de viagens deve fazer no dia do embarque?

    Uma mensagem curta no WhatsApp, oferecendo conferir o cartão de embarque e ajudar em qualquer imprevisto no aeroporto. É o contato que mostra que alguém está cuidando da viagem.

  • Como pesquisar passagem com IA sem cair na opção mais cara

    Como pesquisar passagem com IA sem cair na opção mais cara

    Para pesquisar passagem com IA sem cair na opção mais cara, dê o teto de preço em número. Em vez de “a mais barata”, escreva até quanto o cliente paga por pessoa e o que entra no valor. Foi o que funcionou melhor num estudo com 325 mil testes.

    Resumo rápido

    • Num estudo da Cisco com a Carnegie Mellon, 8 de 13 agentes de IA recomendaram opções mais caras para perfis que pareciam ter mais dinheiro, com o mesmo pedido.
    • Pedir “o mais barato” nem sempre resolveu. Um limite de preço em número funcionou melhor.
    • Na agência: teto em reais por pessoa, o que entra no valor, a opção mais barata na lista e conferência no sistema antes de mandar ao cliente.

    O que o estudo descobriu sobre agentes de IA e preço?

    Descobriu que o agente pode puxar a recomendação para cima quando acha que você tem dinheiro. Pesquisadores da Cisco e da Carnegie Mellon testaram 13 agentes de IA como assistentes de compra, em 325 mil experimentos. Três tipos de decisão: passagem aérea, plano de saúde e programa de pós-graduação. O pedido era sempre o mesmo. O que mudava era o perfil de quem pedia.

    Oito dos 13 recomendaram opções mais caras para os perfis que pareciam mais ricos. Ninguém pediu para levar a renda em conta. O agente fez isso sozinho, inclusive quando só tinha e-mails sem relação com a compra para tirar a conclusão.

    Envelopes abertos com extratos e gráficos ao lado de um notebook com a caixa de e-mail aberta, as pistas que o agente de IA usou para deduzir a renda

    O exemplo que abre o estudo é de passagem. O pedido: o voo mais barato para Chicago. Sem ler os e-mails, o agente trouxe uma passagem econômica de US$ 91. Lendo, achou três e-mails sobre finanças, concluiu que aquela pessoa pagaria mais e recomendou uma executiva de US$ 601. A passagem de US$ 91 continuava disponível.

    Um cuidado antes de seguir: é um pré-print, com perfis fictícios e catálogos montados pelos pesquisadores. Não houve cliente real. Mesmo assim, o padrão apareceu em quatro famílias de modelos diferentes, e foi isso que me fez parar para olhar com calma.

    Por que pedir “o mais barato” não basta?

    Porque, para a IA, “barato” pode ser relativo. Os próprios autores levantam essa hipótese: depois de montar um retrato do usuário, o agente pode entender “o mais barato” como o mais barato entre o que ele acha que aquela pessoa pode pagar com folga.

    Os números mostram o tamanho disso. Em um dos modelos testados, quem parecia rico pediu o voo mais barato e recebeu, em média, opções US$ 208 mais caras do que quem parecia ter pouco dinheiro. Mesmo pedido, palavra por palavra. Em outros modelos, a diferença com esse pedido foi bem menor.

    Ou seja: às vezes funciona, às vezes não. E você não sabe de antemão qual vai ser.

    Tem um detalhe que me incomoda mais do que o valor. Na maior parte dos casos, o agente simplesmente entregou a opção mais cara, sem avisar que existia uma mais barata. Se ninguém conferir, a cotação chega ao cliente com cara de “foi o melhor que eu achei”.

    Como escrever o teto de preço no pedido para a IA?

    Com um número, e não com um adjetivo. No teste de passagem do estudo, o pedido com limite era “abaixo de US$ 200”. Com ele, a diferença entre os perfis caiu para perto de zero na maioria dos modelos mais capazes. Não em todos, e por isso a conferência continua sendo sua.

    Na agência, eu montaria o pedido com quatro peças:

    • O teto, em reais e por pessoa. “Até R$ [valor] por pessoa” é diferente de “barato” e diferente de “até R$ [valor] no total”.
    • O que entra no valor. Ida e volta, bagagem despachada, taxas. Sem isso, a IA compara preços que não são comparáveis.
    • As condições que não mudam. Datas, aeroporto de saída, número de paradas que o cliente aceita.
    • A lista, não só a recomendação. Peça as opções dentro do teto, da mais barata para a mais cara, e a mais barata que ela encontrou, mesmo que recomende outra.

    Na prática, o pedido fica parecido com isto: “Procure voos de São Paulo para Lisboa, ida e volta, saindo na primeira quinzena de março, com uma mala despachada, até R$ [valor] por pessoa com taxas. Liste as opções dentro desse valor, da mais barata para a mais cara, e me diga qual foi a mais barata que você encontrou.”

    Repare que o pedido não fala nada sobre o cliente. Fala sobre a viagem e sobre o limite.

    Assento de classe executiva vazio com uma etiqueta de preço em branco pendurada no braço, a opção mais cara que o agente de IA recomendou

    O contexto do cliente atrapalha a pesquisa de tarifa?

    Pode atrapalhar, se o preço ficar por conta da dedução da IA. Eu defendo dar contexto para a inteligência artificial. Quem viaja, o ritmo, o que marcou a última viagem: isso muda um roteiro de verdade. Escrevi sobre isso no texto dos 5 Cs do agente do futuro, na parte do contexto como o iceberg embaixo do prompt. O estudo não contradiz essa ideia. Ele mostra onde o contexto pode puxar para o lado errado.

    Quando a ferramenta lê e-mails, histórico ou perfil, ela tira conclusões que ninguém pediu. No estudo, esconder as informações financeiras reduziu bastante a diferença. Esconder outras, como emprego ou bairro, não resolveu e às vezes até aumentou, porque o agente achava a pista em outro lugar.

    A minha leitura para o agente de viagens é esta: contexto serve para entender o cliente. Quanto ele quer gastar, quem diz é ele. E quando ele disser, isso entra no pedido como número.

    O que conferir antes de mandar a cotação ao cliente?

    Quatro coisas, e a IA não faz nenhuma delas por você. Ela acelera a pesquisa, mas a cotação continua sendo da agência. Antes de mandar, eu conferiria:

    • Se todas as opções estão dentro do teto que o cliente deu.
    • Se a mais barata da lista existe mesmo, no seu sistema ou no site da companhia.
    • Se o valor inclui o que foi combinado: ida e volta, bagagem e taxas.
    • Se a recomendação veio com motivo. Quando a IA sugerir algo acima do teto, ela precisa dizer por quê. E quem decide é o cliente.

    Parece muito para uma busca de passagem. Na prática, é uma linha a mais no pedido e dois minutos de conferência. Bem menos do que explicar para o cliente por que a cotação veio cara.

    Perguntas frequentes

    Os agentes de IA cobram mais caro de quem tem dinheiro?

    No estudo, o preço de cada opção era fixo. O que mudou foi a recomendação: 8 de 13 agentes apontaram opções mais caras para perfis que pareciam ricos, com o mesmo pedido.

    Pedir “a passagem mais barata” funciona?

    Às vezes. Em alguns modelos, a diferença entre perfis quase sumiu com esse pedido. Em um deles, ficou em US$ 208, em média. Um teto de preço em número funcionou melhor.

    O estudo foi feito com clientes reais?

    Não. É um pré-print publicado no arXiv, com perfis fictícios e catálogos de opções montados pelos pesquisadores, todos nos Estados Unidos. O padrão apareceu em quatro famílias de modelos, mas ainda precisa ser testado com gente de verdade.

    Devo parar de dar contexto do cliente para a IA?

    Não. Contexto melhora roteiro e atendimento. Para preço, coloque o limite em número e confira as opções antes de mandar ao cliente.

  • Agentes de viagens usam inteligência artificial?

    Agentes de viagens usam inteligência artificial?

    Sim, e já são maioria. Numa pesquisa da Takedown Research para a Amadeus com mais de 750 profissionais de venda de viagens, mais de 3 em cada 4 disseram que a IA faz parte das ferramentas de venda. Nas Américas, porém, 35% dizem que ainda não usam IA para vender.

    Resumo rápido

    • A IA entra em quatro pontos da venda: pesquisar opções, comparar conteúdos, montar recomendações e ganhar produtividade. A IA de conversa é o uso principal em todas as regiões.
    • As Américas são a região mais cautelosa, e o próprio estudo diz que isso pode mudar conforme as ferramentas entrarem no dia a dia.
    • Meu conselho: começar por uma tarefa que você já faz e conferir sempre descrição e tarifa antes de mandar qualquer coisa ao cliente.

    O que a pesquisa da Amadeus descobriu?

    Que a IA já faz parte da rotina de venda da maioria dos agentes que trabalham com os grandes sistemas de distribuição.

    O estudo é feito a cada dois anos e, desta vez, ouviu mais de 750 profissionais de venda que usam Amadeus, Sabre e Travelport, com os resultados ponderados para representar todas as regiões por igual. A Amadeus publicou os destaques no próprio site em 29 de setembro, e o Travel Tech Hub trouxe os números para o português em 13 de outubro.

    Mais de 3 em cada 4 agentes dizem que a IA faz parte das ferramentas de venda. Mas o retrato muda de região para região:

    • Na Ásia-Pacífico, os agentes já usam aplicações mais avançadas, como sugestão de roteiro (36%), recomendação dentro do CRM (32%) e ferramentas de fraude ou controle de qualidade (21%).
    • Na Europa, Oriente Médio e África, 62% usam IA de conversa, como ChatGPT, Copilot e Gemini.
    • Nas Américas, 35% dizem que não usam IA para vender.

    Repara num detalhe. Em média, esses agentes acessam os GDS mais de seis vezes por dia e ficam quase oito horas conectados. Não é um grupo distante da tecnologia. Mesmo assim, nas Américas, mais de um em cada três ainda não levou a IA para a venda.

    Slide com os números da pesquisa: mais de 75% dos agentes usam IA nas ferramentas de venda no mundo e 35% dos agentes das Américas dizem que não usam

    Onde a IA já entra na venda de viagens?

    Em quatro pontos, segundo os próprios agentes: pesquisar opções, comparar conteúdos, montar recomendações e ganhar produtividade.

    Nenhum desses usos é uma tarefa nova. É o que o agente já faz todo dia, só que com ajuda. Na prática, eu traduzo assim:

    • Pesquisar opções: levantar hotéis, bairros ou passeios que cabem no perfil do cliente antes de abrir o sistema para cotar.
    • Comparar conteúdos: pôr lado a lado o que dois hotéis dizem sobre quarto, café da manhã, localização e política de cancelamento.
    • Montar recomendações: transformar o que o cliente contou no atendimento numa sugestão com cara de consultoria.
    • Ganhar produtividade: resumir uma conversa longa, revisar uma proposta, responder mais rápido.

    O uso que mais aparece em todas as regiões é o mais simples: conversar com a IA. Para começar, ninguém precisa contratar sistema novo nem esperar a ferramenta perfeita.

    A pesquisa também conta que ferramentas de busca automática de tarifa e plataformas de sugestão de roteiro com IA já são usadas por 29% dos agentes no mundo, cada uma. Vale acompanhar. Mas não é por aí que eu começaria.

    Slide com os quatro usos de IA citados pelos agentes: pesquisar opções, comparar conteúdos, montar recomendações e ganhar produtividade

    Por que os agentes das Américas estão mais cautelosos?

    A pesquisa não explica o motivo. Ela registra a cautela e arrisca uma previsão: isso pode mudar conforme as ferramentas entrarem no fluxo do dia a dia.

    Eu concordo com a previsão e acrescento uma leitura minha. Cautela, por si só, não é atraso. O agente de viagens lida com dinheiro, documento e expectativa do cliente. Desconfiar de uma ferramenta que pode inventar uma informação é saudável.

    O problema começa quando a cautela vira espera. Espera pelo sistema certo, pelo curso completo, pela semana em que a agência estiver menos corrida. Essa semana quase nunca chega.

    Por isso eu gosto de inverter a pergunta. Em vez de “que ferramenta de IA eu devo usar?”, pergunte “qual tarefa da minha semana dá mais trabalho e se repete?”. A IA entra por ali.

    Onde os agentes acham que a IA pode ajudar mais?

    Em todas as regiões, os agentes apontaram as mesmas áreas: sugestões de preço e de venda adicional, recomendação de hotel, inspiração de destino e comparação de conteúdo.

    Repara que a lista é toda de trabalho de venda. O que aparece ali é apoio para o agente chegar mais rápido a uma boa sugestão e não esquecer de oferecer o que faz sentido para aquela viagem, como um seguro, um transfer ou um passeio.

    É também onde mora o risco de exagero. Uma sugestão de venda adicional que não conversa com o perfil do cliente soa como empurrar produto. A IA pode listar as opções. Escolher qual oferecer, e como, é decisão de quem conhece quem vai viajar.

    Slide com as áreas em que os agentes veem espaço para a IA: sugestão de preço e venda adicional, recomendação de hotel, inspiração de destino e comparação de conteúdo

    O que a IA não substitui na comparação de hotéis?

    A conferência. A IA compara o que está escrito, e o que está escrito nem sempre está completo.

    A mesma pesquisa mostra que 90% dos agentes usam as descrições fornecidas pelos hotéis para comparar e recomendar. E 94% consideram a paridade de tarifas altamente importante: 63% dizem que procurariam outra opção se percebessem preço diferente entre canais.

    Junta as duas coisas e o papel de quem vende fica claro. Se a descrição do hotel não fala da obra na piscina, a comparação feita pela IA também não vai falar. Se a tarifa que ela encontrou não bate com a do sistema, quem responde para o cliente é você.

    É a mesma lógica que eu repito sobre contexto: a IA é tão boa quanto o que você dá para ela. Na comparação de hotéis, isso vale para a descrição, para a tarifa e para o que você sabe do cliente.

    Slide com duas fichas de hotel lado a lado e o lembrete de que 90% dos agentes usam as descrições dos hotéis para comparar e recomendar

    Como começar a usar IA na venda sem mudar de sistema?

    Escolha uma tarefa que você já faz toda semana e teste com a IA de conversa que você tem à mão. Aqui vão três pedidos prontos para adaptar:

    1. Comparar dois hotéis: “Compare os dois hotéis abaixo para um casal em lua de mel, usando só as descrições que eu colei. Mostre o que muda em quarto, café da manhã, localização e cancelamento. Se alguma informação não estiver no texto, diga que não está.”
    2. Rascunho de proposta: “A partir das anotações do atendimento abaixo, escreva um rascunho de proposta em tom próximo, com destino, datas, perfil dos viajantes e três sugestões de passeio. Não invente preço.”
    3. Venda adicional: “Para esta viagem, liste serviços que fazem sentido oferecer, como seguro, transfer ou passeio, e explique em uma frase por que cada um ajuda o cliente.”

    Uma regra vale para os três: antes de mandar qualquer coisa ao cliente, confira tarifa, datas e política no sistema e com o fornecedor. A IA acelera o rascunho. A responsabilidade continua sua.

    Se você quer ir além do primeiro teste, eu escrevi sobre as competências que separam quem opera a IA de quem é operado por ela no texto O Agente do Futuro: os 5 Cs da IA no turismo.

    Slide com três tarefas para começar a usar IA na venda: comparar dois hotéis, transformar anotações do atendimento em proposta e pedir ideias de serviço adicional

    Perguntas frequentes

    Quantos agentes de viagens usam inteligência artificial?

    Segundo a pesquisa da Takedown Research para a Amadeus, mais de 3 em cada 4 profissionais de venda de viagens dizem que a IA faz parte das ferramentas de venda. A amostra tem mais de 750 agentes que usam Amadeus, Sabre e Travelport.

    Os agentes das Américas usam menos IA?

    A região é a mais cautelosa: 35% dos agentes das Américas dizem que não usam IA para vender. A própria pesquisa diz que isso pode mudar conforme as ferramentas entrarem no dia a dia.

    Para que o agente de viagens usa IA na venda?

    Para pesquisar opções, comparar conteúdos, montar recomendações e ganhar produtividade. A IA de conversa é o uso mais comum em todas as regiões.

    A IA pode comparar hotéis sozinha?

    Ela compara o que está escrito nas descrições, que 90% dos agentes usam para recomendar hotéis. Por isso a conferência de descrição, tarifa e política continua com o agente antes de a proposta ir para o cliente.

  • Para onde as agências mandaram clientes em setembro de 2026

    Para onde as agências mandaram clientes em setembro de 2026

    Em setembro de 2026, as agências que usam o App Meu Agente mandaram clientes principalmente para a Europa. Foram 1.451 viagens publicadas, o 2º maior mês do ano, com Roma, Paris e Lisboa no topo e quatro cidades italianas entre as seis primeiras.

    Resumo rápido

    • 1.451 viagens, 28,4% acima de agosto. De cada 10 viagens a mais, 9 foram para fora do Brasil.
    • A Europa teve o maior volume de 2026, com Roma, Milão, Florença e Veneza entre as seis primeiras cidades.
    • A Grécia cresceu 80%, a América do Sul caiu 21% e a TAP voltou ao 2º lugar entre as aéreas.

    De onde vêm esses números?

    Do Relatório Meu Agente, que sai todo mês com a minha curadoria. A base são as viagens publicadas no App Meu Agente por centenas de agências brasileiras, em dados agregados e anônimos: nada ali identifica agência, viajante ou viagem.

    A régua é sempre a mesma. Cada viagem conta uma vez, pela data de início no mês. O mês anterior é recalculado na base de hoje antes de qualquer comparação, e nenhum recorte com menos de 10 ocorrências vai a público.

    Não é o mercado inteiro. É uma amostra grande do trade, e por isso eu comparo sempre mês contra mês, na mesma base. É assim que o número vira leitura e não manchete.

    Quanto setembro cresceu, e para onde?

    Setembro fechou com 1.451 viagens, contra 1.130 em agosto. Foi o 2º maior mês de 2026, atrás só de julho, com 2.825 viajantes.

    O crescimento teve endereço. Das 321 viagens a mais, 292 foram internacionais. O nacional ficou parado: 228 viagens em agosto, 219 em setembro.

    Slide do carrossel do Relatório Meu Agente: 9 em cada 10 viagens a mais em setembro foram para fora do Brasil, com o personagem do Daniel puxando uma mala amarela em direção a uma pista de aeroporto

    Para quem vende internacional, setembro deixou de ser um mês morno nesta base. A pergunta que eu faria na agência é simples: o meu setembro também foi assim? Se a sua carteira cresceu no nacional enquanto o internacional puxou o mercado, vale entender por quê antes de planejar o próximo ano.

    Quais cidades lideraram setembro de 2026?

    Roma, Paris e Lisboa ficaram nas três primeiras posições. Logo atrás vieram Milão, Florença e Veneza. Quatro cidades italianas entre as seis primeiras do mês, algo que não tinha acontecido em 2026.

    A Europa somou 740 viagens, 60% das viagens com destino internacional. Foi o maior volume e a maior fatia do ano. Só a Itália teve 299 viagens, a maior marca dela em 2026.

    Slide Ciao, setembro: 4 das 6 cidades mais visitadas eram italianas, Roma, Milão, Florença e Veneza, com o personagem do Daniel numa scooter amarela segurando um café

    Eu leio isso como um recado prático. Quando um país concentra tanto o mês, quem já tem roteiro, fornecedor e transfer resolvidos para ele responde o cliente mais rápido. E eu acredito que, em viagem internacional, quem responde primeiro sai na frente.

    O que aconteceu com a Grécia e com a neve?

    A Grécia cresceu 80% e chegou a 90 viagens, o 6º país do mês e o melhor resultado dela em 2026. Atenas subiu para o 8º lugar entre as cidades.

    Do outro lado, a América do Sul caiu 21% num mês que cresceu 28%. Santiago foi de 67 para 35 viagens, e Bariloche, de 37 para menos de 10.

    Slide A Grécia não largou o verão: mais 80% de viagens para a Grécia e Atenas em 8º lugar, com o personagem do Daniel de óculos escuros encostado num muro com casas brancas e cúpulas azuis

    O verão europeu esticou e a temporada de neve acabou. Parece óbvio escrito assim, mas o dado mostra o tamanho da virada de um mês para o outro. Quem tem a neve como carro-chefe precisa de outro produto pronto para setembro.

    Quais companhias aéreas mais apareceram nas viagens?

    A TAP voltou ao 2º lugar entre as aéreas, com o maior volume dela em 2026. A Azul ficou em 4º, a pior posição dela no ano.

    LATAM, Gol e Azul, somadas, ficaram no mesmo volume de agosto (877 para 876). Enquanto isso, as viagens com outras companhias subiram 30,5%.

    Slide A TAP voltou pro pódio: 2º lugar entre as aéreas, com o maior volume dela em 2026, com o personagem do Daniel no degrau 2 do pódio segurando um avião

    O relatório mostra a posição de cada companhia, não o motivo. O que dá para dizer é que o movimento combina com o resto do mês: cresceu quem leva para fora.

    A viagem ficou mais longa?

    Ficou. A viagem típica de setembro teve 12 dias, contra 10 em agosto. Sem as viagens de mais de 60 dias, a média foi de 11,4 para 12,2 dias.

    O museu também ganhou espaço nos roteiros, e o parque temático ficou do mesmo tamanho. Viagem mais longa e mais cultural combina com um mês de Europa.

    A projeção de setembro acertou? E outubro?

    Acertou a faixa. Na edição de agosto, eu projetei setembro em cerca de 1.500 viagens, entre 1.400 e 1.600. Fechou em 1.451, dentro da faixa, depois de dois meses errando para baixo.

    Slide Dessa vez, acertamos: projetamos cerca de 1.500 viagens e deu 1.451, com o personagem do Daniel comemorando ao lado de um alvo com o dardo no centro

    Para outubro, a conta dá cerca de 1.420 viagens, numa faixa de 1.350 a 1.520. Leio como um mês estável em relação a setembro.

    Eu publico a conta e volto no mês seguinte para dizer se acertei. Foi o jeito que encontrei de usar projeção sem vender adivinhação.

    Onde baixar o relatório completo?

    O relatório de setembro tem 19 páginas e é gratuito. Lá estão o Top 20 de destinos e de hotéis, o ranking por país, as aéreas, os atrativos que mais apareceram nos roteiros e a conta inteira da projeção. Baixe o Relatório Meu Agente de setembro aqui.

    Perguntas frequentes

    Qual foi o destino número 1 das agências em setembro de 2026?

    Roma, seguida de Paris e Lisboa. Milão, Florença e Veneza completaram as seis primeiras posições.

    Os números representam todo o mercado brasileiro?

    Não. São as viagens publicadas no App Meu Agente por centenas de agências brasileiras. É uma amostra grande do trade, comparada sempre mês contra mês na mesma base.

    Quanto setembro de 2026 cresceu em relação a agosto?

    28,4%: foram 1.451 viagens, contra 1.130 em agosto. Quase todo o crescimento veio das viagens internacionais.

    Como recebo as próximas edições do relatório?

    Deixe o seu email na página do relatório. Você recebe o PDF na hora e as próximas edições, todo mês, com os dados do mês anterior.

  • Reforma tributária e passagem aérea: o que eu faria agora

    Reforma tributária e passagem aérea: o que eu faria agora

    Sim, a passagem aérea deve ficar mais cara com a reforma tributária. Quem avisou foi o CEO da Latam Brasil, e a mudança começa aos poucos em 2027. No seu lugar, eu avisaria o cliente antes da primeira cotação mais cara, com fonte e prazo, sem chutar porcentagem.

    Resumo rápido

    • A Latam diz que a passagem sobe com a reforma, de forma gradual, a partir de 2027. Nenhuma das fontes que eu acompanhei traz percentual.
    • Se o preço subir antes disso, o motivo ainda não é a reforma. Não use ela como desculpa.
    • Meu método tem três pontos: quem disse, quando começa e o que ainda não se sabe. Mais abaixo tem mensagem pronta para copiar.

    O que eu sei sobre a reforma e a passagem aérea (e o que ninguém sabe)

    Três coisas, e todas vieram de quem está dentro do setor.

    A primeira: o CEO da Latam Brasil, Jerome Cadier, disse que a tributação sobre a venda de passagens aumenta com a reforma e que o passageiro vai pagar mais caro. A fala saiu na PANROTAS.

    A segunda é o prazo. A implementação começa em 2027 e avança ao longo dos oito anos seguintes.

    A terceira é o que ainda falta: ninguém sabe quanto. A Alagev, associação das viagens corporativas, colocou a reforma entre os cinco desafios para o futuro das viagens e avisou que a alíquota sozinha não conta a história. O que vai pesar é como cada serviço for tributado e quais créditos puderem ser aproveitados.

    A direção está dada. O tamanho, não.

    Tem um detalhe que eu não deixaria passar. Na mesma ocasião, Cadier contou que a Latam paga hoje 90% a mais pelo combustível de aviação do que antes do início da guerra, em meio à crise no Oriente Médio. Se a passagem do seu cliente subir antes de 2027, a reforma ainda nem começou a valer.

    Por que eu trato isso como assunto de balcão, e não só de contador

    Porque quem vai ouvir “por que ficou mais caro?” não é o contador. É quem atende o cliente no WhatsApp.

    Meu primeiro emprego no turismo foi na central de reservas da TAM, aos 17. Já são 25 anos dos dois lados: o de quem atende o cliente e o de quem constrói as ferramentas que o atendente usa. Se esse tempo me deixou uma convicção, é esta: o cliente aceita preço alto quando entende o motivo. O que ele não aceita é surpresa.

    Acontece que o seu cliente não lê a PANROTAS. Não sabe o que é IBS nem CBS, e nem precisa saber. Ele só vai ver um número maior do que esperava e tirar a conclusão mais rápida, que também é a pior para você: “a agência ficou cara”.

    Daí para o “achei mais barato” é um passo.

    Quem já atendeu balcão conhece essa frase de cor. Às vezes o cliente achou mesmo, às vezes comparou coisas diferentes. Tanto faz. A confiança já saiu da conversa.

    É a mesma lógica do voo atrasado. O passageiro avisado cedo fica chateado; o que descobre no portão fica furioso, e com razão. A informação é a mesma, só muda o momento. Dita antes, soa como cuidado. Dita depois, soa como desculpa.

    Olha só como os grandes estão encarando isso. A Meliá reuniu os conselheiros dos seus hotéis no Brasil com especialistas em tributação, segundo a Revista Hotéis. Na pauta, ao lado de carga tributária e estrutura societária, estava a capacitação das equipes.

    Uma rede hoteleira colocou treinamento de gente na mesma lista de imposto. Para mim, isso mostra onde a reforma vai aparecer: na ponta, na conversa com o cliente.

    Como eu explicaria a reforma tributária para o cliente

    A lógica é simples: falar da direção, do prazo e da fonte, sem prometer número. Você não precisa virar especialista em tributo. Precisa chegar antes.

    Eu organizaria a conversa em três pontos:

    • Quem disse. “O CEO da Latam Brasil já avisou que a passagem vai ficar mais cara com a reforma.” Citar a fonte tira o peso das suas costas: quem falou foi a companhia aérea, não a agência.
    • Quando começa. Em 2027, aos poucos, ao longo de vários anos. O prazo tira o tom de alarme.
    • O que ainda não se sabe. Quanto vai subir. Dizer isso com calma passa mais segurança do que inventar um percentual que amanhã pode estar errado.

    Na prática, uma mensagem curta resolve. Pode copiar e ajustar ao seu jeito de falar:

    “Oi, [nome]! Uma informação para você já saber antes da próxima viagem: com a reforma tributária, o CEO da Latam Brasil avisou que a passagem aérea vai ficar mais cara. A mudança começa em 2027 e é gradual, então ainda não tem número fechado. Eu estou acompanhando e, quando a gente for cotar, te mostro o que mudou e por quê.”

    Repara no que a mensagem não tem: percentual, tecnicês e pânico. O que ela tem é fonte, prazo e um agente que se mostra atento.

    É disso que o cliente vai lembrar quando o preço mudar.

    Três perguntas que vão chegar no seu WhatsApp

    Dúvida de cliente não chega em forma de aula. Chega curta. Por isso eu deixaria estas três com resposta pronta na mão de quem atende.

    “Já é por causa da reforma?”

    Antes de 2027, não. Preço de passagem muda por vários motivos, e o próprio CEO da Latam citou o combustível como peso grande na conta da companhia hoje. Usar a reforma como desculpa para o preço de agora é o jeito mais rápido de perder credibilidade, porque uma hora o cliente descobre que ela nem tinha começado.

    “Então é melhor eu comprar tudo agora?”

    Aqui mora a tentação de usar a reforma para apressar a venda.

    Eu não faria isso. Ninguém sabe ainda quanto a passagem vai subir, e venda empurrada pelo medo costuma voltar como cliente desconfiado. Se a viagem já está decidida, compre quando fizer sentido para a viagem. Se não está, a reforma não é motivo para decidir na pressa.

    “Isso muda o nosso contrato?”

    Essa vem do cliente corporativo, e eu não esperaria ela chegar. A Alagev fala em atenção a custos, créditos tributários e processos de contratação durante a transição. Se você atende empresa, puxe o assunto com o gestor de viagens agora, antes da renovação. A resposta fiscal pode vir depois, com o contador. O que conta agora é ele perceber que você está olhando para isso junto com ele.

    O que eu faria na agência a partir desta semana

    Nada disso exige sistema novo nem consultoria cara. São quatro movimentos:

    • Uma resposta só para a equipe. Salve a mensagem acima como resposta rápida no WhatsApp. Assim ninguém improvisa a própria versão.
    • Uma lista de quem avisar primeiro. Comece pelos clientes que viajam todo ano. São eles que vão comparar com o que pagaram da última vez.
    • Uma conversa com o seu contador. Segundo a Alagev, agências estão entre os segmentos com regime específico do IBS e da CBS. Eu levaria três perguntas: como esse regime se aplica à minha agência, que créditos vou poder aproveitar e o que muda nos meus processos de contratação.
    • Um lembrete no calendário. A implementação avança por oito anos. Uma mensagem só não resolve; volte ao assunto quando surgir novidade de fonte confiável.

    O detalhe fiscal fica com quem entende de tributo. A conversa com o cliente fica com você.

    O erro que eu mais temo é o agente esperar ter todas as respostas para só então falar. Aí o cliente já viu a cotação mais cara, já pesquisou sozinho e já tirou a conclusão dele.

    Se este texto fez sentido, manda para aquele colega de agência que ainda não tocou nesse assunto com os clientes. Alguém vai ser a pessoa que o cliente procura quando ouvir falar da reforma. Eu prefiro que seja um agente de viagens.

    Perguntas frequentes

    A reforma tributária vai deixar a passagem aérea mais cara?

    Segundo o CEO da Latam Brasil, sim. Ele afirmou que a tributação sobre a venda de passagens aumenta e que o passageiro vai pagar mais caro a partir da implementação.

    Quando a reforma tributária começa a pesar no preço da viagem?

    A implementação começa em 2027 e avança ao longo dos oito anos seguintes, pela fala de Cadier. A Meliá também trata 2027 como o início das mudanças.

    Quanto a passagem aérea vai subir com a reforma?

    Nenhuma das fontes citadas aqui traz percentual. O efeito depende de como cada serviço será tributado, então eu não prometeria número ao cliente.

    O que o agente de viagens deve fazer agora?

    Avisar o cliente antes da cotação, com fonte e prazo, e combinar uma resposta só com a equipe. A parte fiscal da agência é conversa para ter com o contador.