Tag: passagem aérea

  • Como saber se a passagem aérea é verdadeira

    Como saber se a passagem aérea é verdadeira

    Para saber se uma passagem aérea é verdadeira, o cliente abre o site ou o app da companhia, digita o localizador e o sobrenome e confere se a reserva aparece com o nome, os voos e as datas certas. Se não aparecer, a passagem não existe, por mais bonito que seja o bilhete.

    Resumo rápido

    • A IA deixou barato fabricar um bilhete com cara de verdadeiro. O que ela não fabrica é a reserva no sistema da companhia aérea.
    • Três conferências resolvem: localizador, número do bilhete e quem vendeu (CNPJ e Cadastur).
    • A agência que ensina o cliente a conferir ganha confiança, em vez de perder venda para a desconfiança.

    O que aconteceu no Maranhão?

    Nesta semana, uma mulher foi presa no Maranhão suspeita de vender passagens aéreas falsas feitas com inteligência artificial. A promessa era viajar pelo Brasil e pelo exterior durante um ano inteiro, pagando só a taxa de embarque. Cada pacote custava de R$ 8 mil a R$ 10 mil.

    Segundo o G1, são pelo menos 30 vítimas desde 2024. O bilhete nunca era emitido. Quando o passageiro chegava ao aeroporto e não conseguia embarcar, a desculpa era overbooking ou falha no sistema da companhia. A notícia completa está na PANROTAS.

    Eu não vou me alongar no caso. O que me interessa é o que ele muda no dia a dia de quem vende viagem de verdade.

    Slide do carrossel: a promessa de viajar um ano pagando só a taxa de embarque, de 8 a 10 mil reais por pacote, mais de 30 vítimas desde 2024

    Por que a IA mudou esse tipo de fraude?

    Porque o documento deixou de ser prova. Antes, montar um bilhete convincente dava trabalho. Hoje, qualquer pessoa pede para uma ferramenta de imagem um cartão de embarque com logo, horário, assento e QR code. Sai em segundos, e sai bonito.

    Só que bonito não quer dizer emitido.

    A passagem de verdade não mora no PDF. Ela mora no sistema da companhia aérea. O PDF é só uma foto dessa reserva. Se a reserva não existe lá, não há bilhete que salve o cliente no portão de embarque.

    É por isso que eu tiro a conferência do documento e levo para o lugar onde a fraude não chega: o site ou o app da própria companhia.

    Slide do carrossel: o que dá para copiar num bilhete falso e o que não dá, a reserva no sistema da companhia

    Como o cliente confere a passagem em 1 minuto?

    São três conferências. Todas o cliente faz sozinho, pelo celular, sem precisar ligar para ninguém.

    1. O localizador

    É o código da reserva, com 6 letras e números. Com ele e o sobrenome do passageiro, a reserva abre no site ou no app da companhia, em “Minhas viagens” ou num nome parecido. Se abre com o nome certo, os voos certos e as datas certas, a reserva existe.

    2. O número do bilhete

    O bilhete eletrônico tem 13 dígitos, e os 3 primeiros identificam a companhia aérea. Ele aparece na reserva quando a passagem foi emitida. Reserva sem número de bilhete é lugar segurado, não passagem paga e emitida. Vale explicar essa diferença ao cliente, porque ela pega muita gente.

    3. Quem vendeu

    Agência de turismo regular tem CNPJ e cadastro no Cadastur, o cadastro do Ministério do Turismo. Qualquer pessoa consulta no site do Cadastur. Se quem vendeu não tem nenhum dos dois, o cliente já tem um bom motivo para parar e perguntar.

    Slide do carrossel: as 3 conferências antes de fechar a compra, localizador, número do bilhete e quem vendeu

    Quais sinais deveriam acender o alerta?

    No caso do Maranhão, quase todos os sinais clássicos estavam lá. Eu desconfiaria na hora de quatro coisas:

    • Preço que não fecha. Um ano de voos por menos do que custa uma viagem internacional não tem conta que explique.
    • Sem localizador. “O código chega perto da data” é a frase de quem não emitiu nada.
    • Pagamento para uma pessoa. Conta diferente da empresa que vendeu merece pergunta antes do Pix.
    • Desculpa pronta no dia do voo. Overbooking existe, mas quem passou por um sabe: a companhia resolve no balcão, com a reserva na tela.

    Para o golpe que chega por telefone, com voz parecida com a de um parente, escrevi também sobre o que orientar o cliente antes da viagem.

    O que a agência muda no atendimento a partir de hoje?

    Aqui está o ponto que eu acho mais importante. Notícia de fraude espalha desconfiança pelo setor inteiro. O cliente que leu sobre o Maranhão passa a olhar torto para qualquer um que vende viagem, inclusive para a sua agência, que nunca fez nada de errado.

    Dá para brigar com isso. Ou dá para usar a favor.

    Eu usaria a favor, com quatro mudanças simples:

    • Mandar o localizador junto com o bilhete, sempre. Não só o PDF.
    • Ensinar o cliente a abrir a reserva no app da companhia. Uma mensagem pronta resolve, e eu deixo uma logo abaixo.
    • Deixar CNPJ e Cadastur visíveis no site, na proposta e na assinatura do WhatsApp.
    • Agradecer quando o cliente quiser conferir. A resposta certa é “claro, faz assim”, e não “você não confia em mim?”.

    Agência séria não tem medo de conferência. Ela ensina o cliente a conferir. E o cliente que conferiu uma vez para de desconfiar.

    Slide do carrossel: o que eu faria na agência a partir de hoje, localizador junto com o bilhete, ensinar a abrir a reserva, CNPJ e Cadastur visíveis e agradecer a conferência

    Qual mensagem mandar para o cliente?

    Esta é a mensagem que eu mandaria junto com a emissão. É só trocar o que está entre colchetes:

    Oi, [nome]! Saiu uma notícia de passagens falsas feitas com inteligência artificial, e eu quero que você viaje tranquilo. Toda passagem que eu emito você confere sozinho, em 1 minuto: 1. Abra o site ou o app da [companhia aérea] e procure “Minhas viagens”. 2. Digite o localizador [ABC123] e o seu sobrenome. 3. Confira nome, voos e datas. O número do seu bilhete é [13 dígitos]. Se aparecer qualquer diferença, me chama na hora. Dados da agência: CNPJ [número] · Cadastur [número].

    Eu deixaria essa mensagem salva como resposta rápida no WhatsApp da agência. Leva menos tempo para mandar do que para explicar por telefone.

    Perguntas frequentes

    Como saber se a passagem aérea é verdadeira?

    Abra o site ou o app da companhia aérea, digite o localizador e o sobrenome do passageiro e confira se a reserva aparece com nome, voos e datas certos. Se não aparecer, a passagem não existe.

    O que é o localizador da passagem?

    É o código da reserva, com 6 letras e números. Ele permite abrir a reserva no site ou no app da companhia e acompanhar qualquer mudança no voo.

    Reserva e passagem emitida são a mesma coisa?

    Não. A reserva segura o lugar. A passagem emitida tem número de bilhete, com 13 dígitos. Sem o número, o cliente ainda não tem a passagem paga e emitida.

    Como conferir se a agência de viagens é regular?

    Peça o CNPJ e consulte o cadastro da agência no Cadastur, o cadastro do Ministério do Turismo, no site do próprio Cadastur.

  • Como pesquisar passagem com IA sem cair na opção mais cara

    Como pesquisar passagem com IA sem cair na opção mais cara

    Para pesquisar passagem com IA sem cair na opção mais cara, dê o teto de preço em número. Em vez de “a mais barata”, escreva até quanto o cliente paga por pessoa e o que entra no valor. Foi o que funcionou melhor num estudo com 325 mil testes.

    Resumo rápido

    • Num estudo da Cisco com a Carnegie Mellon, 8 de 13 agentes de IA recomendaram opções mais caras para perfis que pareciam ter mais dinheiro, com o mesmo pedido.
    • Pedir “o mais barato” nem sempre resolveu. Um limite de preço em número funcionou melhor.
    • Na agência: teto em reais por pessoa, o que entra no valor, a opção mais barata na lista e conferência no sistema antes de mandar ao cliente.

    O que o estudo descobriu sobre agentes de IA e preço?

    Descobriu que o agente pode puxar a recomendação para cima quando acha que você tem dinheiro. Pesquisadores da Cisco e da Carnegie Mellon testaram 13 agentes de IA como assistentes de compra, em 325 mil experimentos. Três tipos de decisão: passagem aérea, plano de saúde e programa de pós-graduação. O pedido era sempre o mesmo. O que mudava era o perfil de quem pedia.

    Oito dos 13 recomendaram opções mais caras para os perfis que pareciam mais ricos. Ninguém pediu para levar a renda em conta. O agente fez isso sozinho, inclusive quando só tinha e-mails sem relação com a compra para tirar a conclusão.

    Envelopes abertos com extratos e gráficos ao lado de um notebook com a caixa de e-mail aberta, as pistas que o agente de IA usou para deduzir a renda

    O exemplo que abre o estudo é de passagem. O pedido: o voo mais barato para Chicago. Sem ler os e-mails, o agente trouxe uma passagem econômica de US$ 91. Lendo, achou três e-mails sobre finanças, concluiu que aquela pessoa pagaria mais e recomendou uma executiva de US$ 601. A passagem de US$ 91 continuava disponível.

    Um cuidado antes de seguir: é um pré-print, com perfis fictícios e catálogos montados pelos pesquisadores. Não houve cliente real. Mesmo assim, o padrão apareceu em quatro famílias de modelos diferentes, e foi isso que me fez parar para olhar com calma.

    Por que pedir “o mais barato” não basta?

    Porque, para a IA, “barato” pode ser relativo. Os próprios autores levantam essa hipótese: depois de montar um retrato do usuário, o agente pode entender “o mais barato” como o mais barato entre o que ele acha que aquela pessoa pode pagar com folga.

    Os números mostram o tamanho disso. Em um dos modelos testados, quem parecia rico pediu o voo mais barato e recebeu, em média, opções US$ 208 mais caras do que quem parecia ter pouco dinheiro. Mesmo pedido, palavra por palavra. Em outros modelos, a diferença com esse pedido foi bem menor.

    Ou seja: às vezes funciona, às vezes não. E você não sabe de antemão qual vai ser.

    Tem um detalhe que me incomoda mais do que o valor. Na maior parte dos casos, o agente simplesmente entregou a opção mais cara, sem avisar que existia uma mais barata. Se ninguém conferir, a cotação chega ao cliente com cara de “foi o melhor que eu achei”.

    Como escrever o teto de preço no pedido para a IA?

    Com um número, e não com um adjetivo. No teste de passagem do estudo, o pedido com limite era “abaixo de US$ 200”. Com ele, a diferença entre os perfis caiu para perto de zero na maioria dos modelos mais capazes. Não em todos, e por isso a conferência continua sendo sua.

    Na agência, eu montaria o pedido com quatro peças:

    • O teto, em reais e por pessoa. “Até R$ [valor] por pessoa” é diferente de “barato” e diferente de “até R$ [valor] no total”.
    • O que entra no valor. Ida e volta, bagagem despachada, taxas. Sem isso, a IA compara preços que não são comparáveis.
    • As condições que não mudam. Datas, aeroporto de saída, número de paradas que o cliente aceita.
    • A lista, não só a recomendação. Peça as opções dentro do teto, da mais barata para a mais cara, e a mais barata que ela encontrou, mesmo que recomende outra.

    Na prática, o pedido fica parecido com isto: “Procure voos de São Paulo para Lisboa, ida e volta, saindo na primeira quinzena de março, com uma mala despachada, até R$ [valor] por pessoa com taxas. Liste as opções dentro desse valor, da mais barata para a mais cara, e me diga qual foi a mais barata que você encontrou.”

    Repare que o pedido não fala nada sobre o cliente. Fala sobre a viagem e sobre o limite.

    Assento de classe executiva vazio com uma etiqueta de preço em branco pendurada no braço, a opção mais cara que o agente de IA recomendou

    O contexto do cliente atrapalha a pesquisa de tarifa?

    Pode atrapalhar, se o preço ficar por conta da dedução da IA. Eu defendo dar contexto para a inteligência artificial. Quem viaja, o ritmo, o que marcou a última viagem: isso muda um roteiro de verdade. Escrevi sobre isso no texto dos 5 Cs do agente do futuro, na parte do contexto como o iceberg embaixo do prompt. O estudo não contradiz essa ideia. Ele mostra onde o contexto pode puxar para o lado errado.

    Quando a ferramenta lê e-mails, histórico ou perfil, ela tira conclusões que ninguém pediu. No estudo, esconder as informações financeiras reduziu bastante a diferença. Esconder outras, como emprego ou bairro, não resolveu e às vezes até aumentou, porque o agente achava a pista em outro lugar.

    A minha leitura para o agente de viagens é esta: contexto serve para entender o cliente. Quanto ele quer gastar, quem diz é ele. E quando ele disser, isso entra no pedido como número.

    O que conferir antes de mandar a cotação ao cliente?

    Quatro coisas, e a IA não faz nenhuma delas por você. Ela acelera a pesquisa, mas a cotação continua sendo da agência. Antes de mandar, eu conferiria:

    • Se todas as opções estão dentro do teto que o cliente deu.
    • Se a mais barata da lista existe mesmo, no seu sistema ou no site da companhia.
    • Se o valor inclui o que foi combinado: ida e volta, bagagem e taxas.
    • Se a recomendação veio com motivo. Quando a IA sugerir algo acima do teto, ela precisa dizer por quê. E quem decide é o cliente.

    Parece muito para uma busca de passagem. Na prática, é uma linha a mais no pedido e dois minutos de conferência. Bem menos do que explicar para o cliente por que a cotação veio cara.

    Perguntas frequentes

    Os agentes de IA cobram mais caro de quem tem dinheiro?

    No estudo, o preço de cada opção era fixo. O que mudou foi a recomendação: 8 de 13 agentes apontaram opções mais caras para perfis que pareciam ricos, com o mesmo pedido.

    Pedir “a passagem mais barata” funciona?

    Às vezes. Em alguns modelos, a diferença entre perfis quase sumiu com esse pedido. Em um deles, ficou em US$ 208, em média. Um teto de preço em número funcionou melhor.

    O estudo foi feito com clientes reais?

    Não. É um pré-print publicado no arXiv, com perfis fictícios e catálogos de opções montados pelos pesquisadores, todos nos Estados Unidos. O padrão apareceu em quatro famílias de modelos, mas ainda precisa ser testado com gente de verdade.

    Devo parar de dar contexto do cliente para a IA?

    Não. Contexto melhora roteiro e atendimento. Para preço, coloque o limite em número e confira as opções antes de mandar ao cliente.

  • Reforma tributária e passagem aérea: o que eu faria agora

    Reforma tributária e passagem aérea: o que eu faria agora

    Sim, a passagem aérea deve ficar mais cara com a reforma tributária. Quem avisou foi o CEO da Latam Brasil, e a mudança começa aos poucos em 2027. No seu lugar, eu avisaria o cliente antes da primeira cotação mais cara, com fonte e prazo, sem chutar porcentagem.

    Resumo rápido

    • A Latam diz que a passagem sobe com a reforma, de forma gradual, a partir de 2027. Nenhuma das fontes que eu acompanhei traz percentual.
    • Se o preço subir antes disso, o motivo ainda não é a reforma. Não use ela como desculpa.
    • Meu método tem três pontos: quem disse, quando começa e o que ainda não se sabe. Mais abaixo tem mensagem pronta para copiar.

    O que eu sei sobre a reforma e a passagem aérea (e o que ninguém sabe)

    Três coisas, e todas vieram de quem está dentro do setor.

    A primeira: o CEO da Latam Brasil, Jerome Cadier, disse que a tributação sobre a venda de passagens aumenta com a reforma e que o passageiro vai pagar mais caro. A fala saiu na PANROTAS.

    A segunda é o prazo. A implementação começa em 2027 e avança ao longo dos oito anos seguintes.

    A terceira é o que ainda falta: ninguém sabe quanto. A Alagev, associação das viagens corporativas, colocou a reforma entre os cinco desafios para o futuro das viagens e avisou que a alíquota sozinha não conta a história. O que vai pesar é como cada serviço for tributado e quais créditos puderem ser aproveitados.

    A direção está dada. O tamanho, não.

    Tem um detalhe que eu não deixaria passar. Na mesma ocasião, Cadier contou que a Latam paga hoje 90% a mais pelo combustível de aviação do que antes do início da guerra, em meio à crise no Oriente Médio. Se a passagem do seu cliente subir antes de 2027, a reforma ainda nem começou a valer.

    Por que eu trato isso como assunto de balcão, e não só de contador

    Porque quem vai ouvir “por que ficou mais caro?” não é o contador. É quem atende o cliente no WhatsApp.

    Meu primeiro emprego no turismo foi na central de reservas da TAM, aos 17. Já são 25 anos dos dois lados: o de quem atende o cliente e o de quem constrói as ferramentas que o atendente usa. Se esse tempo me deixou uma convicção, é esta: o cliente aceita preço alto quando entende o motivo. O que ele não aceita é surpresa.

    Acontece que o seu cliente não lê a PANROTAS. Não sabe o que é IBS nem CBS, e nem precisa saber. Ele só vai ver um número maior do que esperava e tirar a conclusão mais rápida, que também é a pior para você: “a agência ficou cara”.

    Daí para o “achei mais barato” é um passo.

    Quem já atendeu balcão conhece essa frase de cor. Às vezes o cliente achou mesmo, às vezes comparou coisas diferentes. Tanto faz. A confiança já saiu da conversa.

    É a mesma lógica do voo atrasado. O passageiro avisado cedo fica chateado; o que descobre no portão fica furioso, e com razão. A informação é a mesma, só muda o momento. Dita antes, soa como cuidado. Dita depois, soa como desculpa.

    Olha só como os grandes estão encarando isso. A Meliá reuniu os conselheiros dos seus hotéis no Brasil com especialistas em tributação, segundo a Revista Hotéis. Na pauta, ao lado de carga tributária e estrutura societária, estava a capacitação das equipes.

    Uma rede hoteleira colocou treinamento de gente na mesma lista de imposto. Para mim, isso mostra onde a reforma vai aparecer: na ponta, na conversa com o cliente.

    Como eu explicaria a reforma tributária para o cliente

    A lógica é simples: falar da direção, do prazo e da fonte, sem prometer número. Você não precisa virar especialista em tributo. Precisa chegar antes.

    Eu organizaria a conversa em três pontos:

    • Quem disse. “O CEO da Latam Brasil já avisou que a passagem vai ficar mais cara com a reforma.” Citar a fonte tira o peso das suas costas: quem falou foi a companhia aérea, não a agência.
    • Quando começa. Em 2027, aos poucos, ao longo de vários anos. O prazo tira o tom de alarme.
    • O que ainda não se sabe. Quanto vai subir. Dizer isso com calma passa mais segurança do que inventar um percentual que amanhã pode estar errado.

    Na prática, uma mensagem curta resolve. Pode copiar e ajustar ao seu jeito de falar:

    “Oi, [nome]! Uma informação para você já saber antes da próxima viagem: com a reforma tributária, o CEO da Latam Brasil avisou que a passagem aérea vai ficar mais cara. A mudança começa em 2027 e é gradual, então ainda não tem número fechado. Eu estou acompanhando e, quando a gente for cotar, te mostro o que mudou e por quê.”

    Repara no que a mensagem não tem: percentual, tecnicês e pânico. O que ela tem é fonte, prazo e um agente que se mostra atento.

    É disso que o cliente vai lembrar quando o preço mudar.

    Três perguntas que vão chegar no seu WhatsApp

    Dúvida de cliente não chega em forma de aula. Chega curta. Por isso eu deixaria estas três com resposta pronta na mão de quem atende.

    “Já é por causa da reforma?”

    Antes de 2027, não. Preço de passagem muda por vários motivos, e o próprio CEO da Latam citou o combustível como peso grande na conta da companhia hoje. Usar a reforma como desculpa para o preço de agora é o jeito mais rápido de perder credibilidade, porque uma hora o cliente descobre que ela nem tinha começado.

    “Então é melhor eu comprar tudo agora?”

    Aqui mora a tentação de usar a reforma para apressar a venda.

    Eu não faria isso. Ninguém sabe ainda quanto a passagem vai subir, e venda empurrada pelo medo costuma voltar como cliente desconfiado. Se a viagem já está decidida, compre quando fizer sentido para a viagem. Se não está, a reforma não é motivo para decidir na pressa.

    “Isso muda o nosso contrato?”

    Essa vem do cliente corporativo, e eu não esperaria ela chegar. A Alagev fala em atenção a custos, créditos tributários e processos de contratação durante a transição. Se você atende empresa, puxe o assunto com o gestor de viagens agora, antes da renovação. A resposta fiscal pode vir depois, com o contador. O que conta agora é ele perceber que você está olhando para isso junto com ele.

    O que eu faria na agência a partir desta semana

    Nada disso exige sistema novo nem consultoria cara. São quatro movimentos:

    • Uma resposta só para a equipe. Salve a mensagem acima como resposta rápida no WhatsApp. Assim ninguém improvisa a própria versão.
    • Uma lista de quem avisar primeiro. Comece pelos clientes que viajam todo ano. São eles que vão comparar com o que pagaram da última vez.
    • Uma conversa com o seu contador. Segundo a Alagev, agências estão entre os segmentos com regime específico do IBS e da CBS. Eu levaria três perguntas: como esse regime se aplica à minha agência, que créditos vou poder aproveitar e o que muda nos meus processos de contratação.
    • Um lembrete no calendário. A implementação avança por oito anos. Uma mensagem só não resolve; volte ao assunto quando surgir novidade de fonte confiável.

    O detalhe fiscal fica com quem entende de tributo. A conversa com o cliente fica com você.

    O erro que eu mais temo é o agente esperar ter todas as respostas para só então falar. Aí o cliente já viu a cotação mais cara, já pesquisou sozinho e já tirou a conclusão dele.

    Se este texto fez sentido, manda para aquele colega de agência que ainda não tocou nesse assunto com os clientes. Alguém vai ser a pessoa que o cliente procura quando ouvir falar da reforma. Eu prefiro que seja um agente de viagens.

    Perguntas frequentes

    A reforma tributária vai deixar a passagem aérea mais cara?

    Segundo o CEO da Latam Brasil, sim. Ele afirmou que a tributação sobre a venda de passagens aumenta e que o passageiro vai pagar mais caro a partir da implementação.

    Quando a reforma tributária começa a pesar no preço da viagem?

    A implementação começa em 2027 e avança ao longo dos oito anos seguintes, pela fala de Cadier. A Meliá também trata 2027 como o início das mudanças.

    Quanto a passagem aérea vai subir com a reforma?

    Nenhuma das fontes citadas aqui traz percentual. O efeito depende de como cada serviço será tributado, então eu não prometeria número ao cliente.

    O que o agente de viagens deve fazer agora?

    Avisar o cliente antes da cotação, com fonte e prazo, e combinar uma resposta só com a equipe. A parte fiscal da agência é conversa para ter com o contador.