Tag: inteligência artificial

  • Google volta a mostrar links na IA: sua agência aparece?

    Google volta a mostrar links na IA: sua agência aparece?

    No dia 15 de outubro, o Google anunciou que os links de sites vão aparecer com mais frequência e mais destaque dentro das respostas de IA da busca. Para a agência de viagens, isso reabre uma porta: quem responde no próprio site as perguntas que o cliente faz volta a ter chance de aparecer na frente dele.

    Resumo rápido

    • Os resumos de IA do Google diminuíram os cliques nos sites; a mudança anunciada dá mais espaço aos links dentro dessas respostas.
    • Posts de redes sociais e de fóruns também podem entrar nas respostas.
    • O teste que eu faria hoje: pesquisar as 3 perguntas que o cliente mais faz e ver quem aparece.

    O que o Google mudou na resposta da IA?

    Desde maio de 2024, a busca do Google responde muitas perguntas com um resumo escrito por IA, a Visão geral criada por IA. Em março de 2025 veio o Modo IA, numa janela separada e com respostas mais longas.

    O efeito colateral foi conhecido: com a resposta pronta na tela, menos gente clicava nos sites. Empresas e veículos de imprensa reclamaram da queda de tráfego.

    No anúncio de 15/10, o Google disse que os links usados como referência vão aparecer mais vezes e em posições de mais destaque dentro dessas respostas. O carrossel de artigos que fica embaixo do resumo também vai crescer no mundo todo. E entram duas novidades que interessam a quem vende viagem: conteúdo de sites que o usuário marcou como fonte preferida ganha prioridade, e publicações de redes sociais e fóruns podem aparecer na resposta.

    Ilustração de uma resposta de IA da busca com links de sites acendendo dentro do texto e um carrossel de artigos embaixo

    Por que isso importa para a agência de viagens?

    Porque o cliente pesquisa antes de falar com você. Ele digita “melhor época para ir a Gramado”, “precisa de visto para os Estados Unidos”, “vale levar criança para a Disney”. E hoje quem responde primeiro é a IA da busca.

    Se a resposta da IA cita um blog qualquer, o cliente chega no seu WhatsApp já com a opinião de outra pessoa. Se cita o site da sua agência, ele chega sabendo quem você é.

    A mudança não resolve isso sozinha. Ela só deixa a porta mais aberta para quem tem conteúdo. E aí está o ponto: a maioria dos sites de agência que eu vejo mostra pacote, foto e telefone. Não responde pergunta nenhuma.

    Como fazer o teste das 3 perguntas?

    É um teste de dez minutos, e eu faria esta semana.

    • Separe as 3 perguntas que o cliente mais faz. Abra o WhatsApp da agência e procure o que se repete. Não vale pergunta de catálogo; vale a dúvida real, do jeito que o cliente escreve.
    • Pesquise cada uma no Google, no celular. Olhe a resposta de IA no topo e os links que aparecem dentro dela e no carrossel.
    • Anote quem aparece. É um portal grande, uma operadora, um blog de viagem, uma agência concorrente? Ou a sua?

    Se a sua agência não aparece em nenhuma das três, você acabou de descobrir a pauta dos próximos três artigos do seu site.

    Ilustração de uma busca por melhor época para ir a Gramado com o guia da agência subindo para o topo dos resultados

    O que escrever no site para ter chance de aparecer?

    A resposta para a pergunta do cliente, do seu jeito. Eu sigo uma estrutura simples:

    • Responda logo no primeiro parágrafo. Duas ou três frases que resolvem a dúvida. É esse trecho que a busca costuma aproveitar.
    • Coloque o que só quem vende sabe. O que você vê acontecer com os clientes, o erro que mais se repete, o detalhe que muda a viagem. Isso o portal grande não tem.
    • Assine com o seu nome. Agente, cidade, há quanto tempo vende aquele destino. A pessoa por trás do texto conta.
    • Feche com perguntas frequentes. As variações da mesma dúvida, com respostas curtas.

    É por isso que todo vídeo meu vira artigo no blog. O vídeo resolve o Instagram. O artigo fica no site respondendo a pergunta enquanto eu estou fazendo outra coisa.

    Por que a IA cita uns e ignora outros?

    Porque ela prefere quem descreve com detalhe. Um teste da McKinsey, contado na newsletter Travel Tech Essentialist, mostra isso bem. A consultoria fez a mesma pergunta a três assistentes de IA e às ferramentas de IA de algumas OTAs: quais os 3 melhores hotéis em Chicago para crianças, com vista para o rio, no feriado do Labor Day.

    Nenhum hotel apareceu em todas as listas. A maioria apareceu uma vez só. E os citados mais vezes tinham uma coisa em comum: descreviam algo específico, como uma suíte feita para famílias. Os que só diziam “family friendly” apareceram menos.

    Com destino acontece o mesmo. Pergunte a uma IA onde ver castelos na Europa e a Espanha, que tem mais castelos que a maioria dos países, muitas vezes nem aparece. Os modelos puxam sobretudo do que OTAs e operadoras já empacotaram. Os castelos alemães viraram produto. Os espanhóis, em geral, não.

    A Turespaña, que cuida da promoção do turismo espanhol, percebeu que ter a informação no próprio site não bastava. Agora trabalha com operadoras para transformar atrações em produtos que a IA encontra.

    Para a agência, a lição é a mesma do teste das 3 perguntas, só que aplicada ao que você vende. Pacote descrito como “ótimo para famílias” é o nosso “family friendly”. Pacote que diz para quem é, o que inclui e o que o cliente vai ver tem mais chance de entrar na resposta.

    Eu começaria pelo pacote que mais vende. Reescreva a descrição dele no site com esses três pontos e veja como fica.

    Instagram e comunidade também contam?

    Podem contar. Segundo o anúncio, publicações relevantes de redes sociais e fóruns podem entrar nas respostas de IA. Isso não substitui o site, mas muda a forma de pensar o post: um carrossel que responde uma dúvida real tem mais vida útil do que um post de promoção.

    Na prática, eu faria a mesma pergunta virar duas peças: o artigo no site, com a resposta completa, e um post nas redes, com a resposta curta e o caminho para o artigo.

    O que o anúncio não garante?

    Clique. O próprio Google não promete mais acessos para ninguém, e o efeito real vai depender de como as respostas forem montadas e de como as pessoas usarem a busca.

    Então eu não faria um site novo por causa disso. Faria o teste, escreveria as três respostas que faltam e mediria. Mas uma coisa é certa: quem não tem conteúdo nem entra na disputa.

    Perguntas frequentes

    O que é a Visão geral criada por IA do Google?

    É o resumo escrito por IA que aparece no topo de muitas buscas desde maio de 2024. Ele responde a pergunta direto na página de resultados e cita os sites usados como referência.

    O que mudou no anúncio de 15 de outubro de 2026?

    O Google disse que os links usados nas respostas de IA vão aparecer mais vezes e com mais destaque, que o carrossel de links abaixo do resumo vai ser ampliado e que posts de redes sociais e fóruns também podem entrar.

    Agência pequena tem chance de aparecer?

    Tem, se responder melhor do que os outros a uma pergunta específica. Um guia bem feito sobre o destino que você mais vende vale mais do que uma página genérica de pacotes.

    Preciso de blog ou basta o Instagram?

    O ideal é ter os dois. As redes podem entrar nas respostas, mas o site é o lugar onde a resposta completa fica, com o seu nome, e onde o cliente consegue falar com você.

  • Como saber se a passagem aérea é verdadeira

    Como saber se a passagem aérea é verdadeira

    Para saber se uma passagem aérea é verdadeira, o cliente abre o site ou o app da companhia, digita o localizador e o sobrenome e confere se a reserva aparece com o nome, os voos e as datas certas. Se não aparecer, a passagem não existe, por mais bonito que seja o bilhete.

    Resumo rápido

    • A IA deixou barato fabricar um bilhete com cara de verdadeiro. O que ela não fabrica é a reserva no sistema da companhia aérea.
    • Três conferências resolvem: localizador, número do bilhete e quem vendeu (CNPJ e Cadastur).
    • A agência que ensina o cliente a conferir ganha confiança, em vez de perder venda para a desconfiança.

    O que aconteceu no Maranhão?

    Nesta semana, uma mulher foi presa no Maranhão suspeita de vender passagens aéreas falsas feitas com inteligência artificial. A promessa era viajar pelo Brasil e pelo exterior durante um ano inteiro, pagando só a taxa de embarque. Cada pacote custava de R$ 8 mil a R$ 10 mil.

    Segundo o G1, são pelo menos 30 vítimas desde 2024. O bilhete nunca era emitido. Quando o passageiro chegava ao aeroporto e não conseguia embarcar, a desculpa era overbooking ou falha no sistema da companhia. A notícia completa está na PANROTAS.

    Eu não vou me alongar no caso. O que me interessa é o que ele muda no dia a dia de quem vende viagem de verdade.

    Slide do carrossel: a promessa de viajar um ano pagando só a taxa de embarque, de 8 a 10 mil reais por pacote, mais de 30 vítimas desde 2024

    Por que a IA mudou esse tipo de fraude?

    Porque o documento deixou de ser prova. Antes, montar um bilhete convincente dava trabalho. Hoje, qualquer pessoa pede para uma ferramenta de imagem um cartão de embarque com logo, horário, assento e QR code. Sai em segundos, e sai bonito.

    Só que bonito não quer dizer emitido.

    A passagem de verdade não mora no PDF. Ela mora no sistema da companhia aérea. O PDF é só uma foto dessa reserva. Se a reserva não existe lá, não há bilhete que salve o cliente no portão de embarque.

    É por isso que eu tiro a conferência do documento e levo para o lugar onde a fraude não chega: o site ou o app da própria companhia.

    Slide do carrossel: o que dá para copiar num bilhete falso e o que não dá, a reserva no sistema da companhia

    Como o cliente confere a passagem em 1 minuto?

    São três conferências. Todas o cliente faz sozinho, pelo celular, sem precisar ligar para ninguém.

    1. O localizador

    É o código da reserva, com 6 letras e números. Com ele e o sobrenome do passageiro, a reserva abre no site ou no app da companhia, em “Minhas viagens” ou num nome parecido. Se abre com o nome certo, os voos certos e as datas certas, a reserva existe.

    2. O número do bilhete

    O bilhete eletrônico tem 13 dígitos, e os 3 primeiros identificam a companhia aérea. Ele aparece na reserva quando a passagem foi emitida. Reserva sem número de bilhete é lugar segurado, não passagem paga e emitida. Vale explicar essa diferença ao cliente, porque ela pega muita gente.

    3. Quem vendeu

    Agência de turismo regular tem CNPJ e cadastro no Cadastur, o cadastro do Ministério do Turismo. Qualquer pessoa consulta no site do Cadastur. Se quem vendeu não tem nenhum dos dois, o cliente já tem um bom motivo para parar e perguntar.

    Slide do carrossel: as 3 conferências antes de fechar a compra, localizador, número do bilhete e quem vendeu

    Quais sinais deveriam acender o alerta?

    No caso do Maranhão, quase todos os sinais clássicos estavam lá. Eu desconfiaria na hora de quatro coisas:

    • Preço que não fecha. Um ano de voos por menos do que custa uma viagem internacional não tem conta que explique.
    • Sem localizador. “O código chega perto da data” é a frase de quem não emitiu nada.
    • Pagamento para uma pessoa. Conta diferente da empresa que vendeu merece pergunta antes do Pix.
    • Desculpa pronta no dia do voo. Overbooking existe, mas quem passou por um sabe: a companhia resolve no balcão, com a reserva na tela.

    Para o golpe que chega por telefone, com voz parecida com a de um parente, escrevi também sobre o que orientar o cliente antes da viagem.

    O que a agência muda no atendimento a partir de hoje?

    Aqui está o ponto que eu acho mais importante. Notícia de fraude espalha desconfiança pelo setor inteiro. O cliente que leu sobre o Maranhão passa a olhar torto para qualquer um que vende viagem, inclusive para a sua agência, que nunca fez nada de errado.

    Dá para brigar com isso. Ou dá para usar a favor.

    Eu usaria a favor, com quatro mudanças simples:

    • Mandar o localizador junto com o bilhete, sempre. Não só o PDF.
    • Ensinar o cliente a abrir a reserva no app da companhia. Uma mensagem pronta resolve, e eu deixo uma logo abaixo.
    • Deixar CNPJ e Cadastur visíveis no site, na proposta e na assinatura do WhatsApp.
    • Agradecer quando o cliente quiser conferir. A resposta certa é “claro, faz assim”, e não “você não confia em mim?”.

    Agência séria não tem medo de conferência. Ela ensina o cliente a conferir. E o cliente que conferiu uma vez para de desconfiar.

    Slide do carrossel: o que eu faria na agência a partir de hoje, localizador junto com o bilhete, ensinar a abrir a reserva, CNPJ e Cadastur visíveis e agradecer a conferência

    Qual mensagem mandar para o cliente?

    Esta é a mensagem que eu mandaria junto com a emissão. É só trocar o que está entre colchetes:

    Oi, [nome]! Saiu uma notícia de passagens falsas feitas com inteligência artificial, e eu quero que você viaje tranquilo. Toda passagem que eu emito você confere sozinho, em 1 minuto: 1. Abra o site ou o app da [companhia aérea] e procure “Minhas viagens”. 2. Digite o localizador [ABC123] e o seu sobrenome. 3. Confira nome, voos e datas. O número do seu bilhete é [13 dígitos]. Se aparecer qualquer diferença, me chama na hora. Dados da agência: CNPJ [número] · Cadastur [número].

    Eu deixaria essa mensagem salva como resposta rápida no WhatsApp da agência. Leva menos tempo para mandar do que para explicar por telefone.

    Perguntas frequentes

    Como saber se a passagem aérea é verdadeira?

    Abra o site ou o app da companhia aérea, digite o localizador e o sobrenome do passageiro e confira se a reserva aparece com nome, voos e datas certos. Se não aparecer, a passagem não existe.

    O que é o localizador da passagem?

    É o código da reserva, com 6 letras e números. Ele permite abrir a reserva no site ou no app da companhia e acompanhar qualquer mudança no voo.

    Reserva e passagem emitida são a mesma coisa?

    Não. A reserva segura o lugar. A passagem emitida tem número de bilhete, com 13 dígitos. Sem o número, o cliente ainda não tem a passagem paga e emitida.

    Como conferir se a agência de viagens é regular?

    Peça o CNPJ e consulte o cadastro da agência no Cadastur, o cadastro do Ministério do Turismo, no site do próprio Cadastur.

  • Os 6 documentos que dão contexto à IA da sua agência

    Os 6 documentos que dão contexto à IA da sua agência

    Para a IA ajudar de verdade na agência de viagens, ela precisa conhecer a agência: quem vocês são, como falam, o que perguntam antes de cotar, como vendem e o que conferem antes do embarque. Esse contexto cabe em seis documentos e um manual que reúne tudo. E os mesmos documentos orientam a equipe.

    Resumo rápido

    • A IA conhece destinos, mas não conhece o seu jeito de trabalhar. Sem referência, ela responde de forma genérica.
    • Seis documentos dão esse contexto: institucional, marca, conteúdo, qualificação, vendas e operação.
    • O manual integrado junta tudo numa base só, para consultar, delegar e usar nas suas IAs.

    Por que a IA responde igual para todo mundo?

    Porque ela recebe o mesmo pedido de todo mundo. “Escreva um post sobre lua de mel na Itália” vira um texto bonito, cheio de paisagens incríveis e romance, que poderia ser de qualquer agência.

    A IA não sabe por que o seu cliente escolhe você. Não sabe que a sua agência atende casais que preferem viajar sem pressa, nem que o seu diferencial é montar roteiros com menos trocas de hotel. Ela só sabe o que você conta.

    No livro e na palestra Agentes do Futuro, eu falo dos cinco Cs: Curiosidade, Contexto, Comunidade, Código e Caráter. O C de Contexto é exatamente isso: tirar a sua experiência da cabeça e transformar em referência.

    Slide com os seis documentos da agência e o manual integrado: quem você é, como fala, o que comunica, o que perguntar, como acompanhar e o que conferir

    Quais são os 6 documentos que dão contexto à agência?

    Eu organizo em seis, cada um respondendo uma pergunta simples:

    • Institucional: quem é a sua agência. Missão, valores, diferenciais e a apresentação do negócio.
    • Marca: como a sua agência fala. Personalidade, tom de voz e referências de comunicação.
    • Conteúdo: o que vale comunicar. Público, pilares editoriais e ideias alinhadas ao seu nicho.
    • Qualificação: o que perguntar antes de cotar. O roteiro de conversa para entender o viajante.
    • Vendas: como conduzir o atendimento. As etapas da proposta ao pós-venda e o padrão de acompanhamento.
    • Operação: o que precisa ser conferido. Checklists e pontos de atenção antes, durante e depois da viagem.

    O sétimo é o manual integrado, que junta os seis numa base só. É ele que você consulta, compartilha com a equipe e entrega para a IA como referência.

    Como esses documentos mudam a resposta da IA?

    Volta para a lua de mel na Itália. Com o manual de marca e o plano de conteúdo como referência, o mesmo pedido vira outra coisa: “Vocês querem conhecer a Itália ou passar a lua de mel fazendo e desfazendo malas? Para casais que preferem ir com calma, a sugestão é escolher menos bases e aproveitar mais cada lugar.”

    O destino é o mesmo. O público, o ritmo da viagem e o jeito de puxar a conversa vêm da agência. (É um exemplo escrito para ilustrar o método: as respostas variam e sempre precisam de revisão.)

    Vale para o atendimento e para a operação também. Com o documento de qualificação, a IA aprende a perguntar antes de sugerir. Com o checklist de operação, ela ajuda a revisar uma programação e listar o que falta confirmar. Quem valida documentos e regras nas fontes oficiais continua sendo você.

    Slide comparando um post genérico sobre lua de mel na Itália com o mesmo post escrito com o contexto da agência

    Os documentos servem só para a IA?

    Não, e esse é o ponto de que eu mais gosto. O que está solto na operação também falta para a equipe.

    Quando cada pessoa atende de um jeito, o cliente sente. Quando os combinados ficam na cabeça do dono, toda dúvida volta para ele. Quando falta informação para cotar, a proposta esfria. E quando a conferência depende da memória, um detalhe esquecido vira problema no embarque.

    Os mesmos seis documentos resolvem os dois lados: dão direção para a equipe e contexto para a IA. Organizar a agência continua sendo o começo.

    Por onde começar?

    Pelo que mais te interrompe. Se a equipe pergunta toda semana o que conferir antes de emitir, comece pela operação. Se cada post sai num tom diferente, comece pela marca. Se a cotação volta incompleta, comece pela qualificação.

    Escreva o passo a passo, coloque um exemplo e peça para alguém executar usando só aquilo. O que a pessoa não entender mostra onde o documento ainda precisa melhorar.

    Não precisa escrever a agência inteira de uma vez. Um documento bem feito já muda a semana.

    E se eu não quiser começar do zero?

    Foi para isso que eu criei a Agência Organizada. É o método que eu uso na minha consultoria, num portal online: sete assistentes de IA entrevistam você, por texto ou áudio, e transformam as respostas nesses seis documentos e no manual. Você revisa, aprova e baixa cada um.

    Você sai com duas entregas. A primeira são os sete documentos, para baixar e usar em qualquer IA. A segunda é a que mais muda o dia a dia: sete assistentes de aplicação, entregues como skills, já com a base da sua agência dentro, para instalar no ChatGPT, no Claude, no Gemini ou no Codex. São o Sócio Digital, o Copywriter de Turismo, o Arquiteto de Experiências, o Supervisor de Qualidade, o Arquiteto de Implementação, o Treinador de Atendimento e Vendas e o Analista de Rentabilidade. Assim o contexto não fica parado num arquivo: ele vai junto para a IA que você já usa.

    Esta semana é o lançamento, com condição especial para as 30 primeiras agências. Os detalhes estão no site.

    Perguntas frequentes

    O que é dar contexto à IA?

    É fornecer à ferramenta referências sobre quem é a agência, quais clientes atende, como se comunica e como trabalha, para que as respostas sigam o seu jeito e não um padrão genérico.

    Preciso de uma ferramenta específica para usar os documentos?

    Não. Os documentos podem ser usados como referência no ChatGPT, no Claude, no Gemini ou em outras ferramentas que aceitem arquivos ou instruções, respeitando os recursos de cada conta.

    Posso colocar dados dos meus clientes nos documentos?

    O ideal é não colocar. Para documentar marca e processos, use informações da agência e exemplos sem dados pessoais. No atendimento, compartilhe com a IA só o necessário.

    A IA passa a atender os clientes sozinha?

    Não. Os documentos orientam a IA e a equipe, mas quem revisa, confere e conduz o atendimento continua sendo o agente.

  • Claude, ChatGPT ou Gemini: qual IA usar na agência?

    Claude, ChatGPT ou Gemini: qual IA usar na agência?

    Em outubro de 2026, não existe a melhor IA para a agência de viagens. Existe a melhor para cada tarefa. Claude, ChatGPT e Gemini ganharam versões novas em seis semanas, e cada um ficou forte numa coisa diferente. A pergunta que resolve não é “qual eu assino”, é “o que eu preciso fazer hoje”.

    Resumo rápido

    • Entre setembro e outubro saíram o Claude 5.5, o GPT-6 e o Gemini 4. Cada empresa publicou testes em que o seu modelo aparece na frente.
    • Pela descrição oficial de cada um: Claude para trabalho que pede cuidado e documento bem acabado, ChatGPT para o dia a dia com resposta visual, Gemini para material longo, vídeo e áudio.
    • O teste que decide é o seu: a mesma tarefa real da semana, nas três, comparando quanto você precisou corrigir.

    O que saiu de novo desde julho?

    Em julho eu escrevi sobre o Claude Opus 5, e aquele virou o texto mais lido do blog neste ano. Três meses depois, ele já tem sucessor. E não foi só a Anthropic que mexeu.

    A sequência, em seis semanas:

    • Início de setembro: a OpenAI lança o GPT-6 Astra, o topo da família, que ela descreve como forte em usar o computador, programar e fazer ciência.
    • 22 de setembro: a Anthropic lança o Claude Opus 5.5, que segundo ela entrega quase o nível do Claude Fable 5.1, um degrau acima na família, custando cerca de 40% menos para rodar que o Opus 5. No mesmo dia, a OpenAI lança o GPT-6 Sol, para o trabalho profissional, e o GPT-6 Luna, para tarefa simples em volume.
    • 28 de setembro: chega o Claude Sonnet 5.5, para tarefa do dia a dia.
    • 7 de outubro: o GPT-6 entra no ChatGPT para todo mundo, com respostas que trazem gráfico, botão e formulário. No mesmo dia sai o Claude Haiku 5.5, o mais rápido e barato da Anthropic.
    • 13 de outubro: o Google libera o Gemini 4 Argon, o modelo de ponta mais recente dele.

    Se você sentiu que não dá para acompanhar, não é só você. E a boa notícia é que não precisa.

    Slide do carrossel: em seis semanas, GPT-6 Astra, Claude Opus 5.5, GPT-6 Sol e Luna, Claude Sonnet 5.5, GPT-6 no ChatGPT, Claude Haiku 5.5 e Gemini 4 Argon

    Por que o ranking de IA não escolhe por você?

    Porque cada empresa mostra a prova que ganhou.

    Na página do Opus 5.5, a Anthropic coloca o modelo dela na frente em programação, uso do computador e trabalho de conhecimento. No documento técnico do Gemini 4 Argon, o Google compara com o GPT-6 Astra e com os Claude e aparece na frente na maioria das categorias. As duas tabelas são verdadeiras. Só escolhem provas diferentes.

    E nenhuma dessas provas é “montar a lua de mel de um casal que já foi a Roma e odeia acordar cedo”. Esse teste ninguém publica. Quem faz é você.

    Por isso eu parei de perguntar qual é a melhor. Pergunto qual é a melhor para aquela tarefa, naquele dia.

    Para que serve cada IA na agência de viagens?

    Esta é a minha leitura, a partir de como cada empresa descreve o próprio modelo e do tipo de trabalho que a agência faz. Não é regra. É por onde eu começaria.

    Claude: quando o texto vai para o cliente. A Anthropic indica o Opus 5.5 para trabalho complexo, que pede julgamento cuidadoso. Na agência, isso é a proposta com muita condição, o roteiro com conexão apertada, o e-mail delicado de remarcação. O Sonnet 5.5, segundo a própria empresa, é forte em documento, apresentação e planilha bem acabados: a apresentação do destino para o grupo, a planilha de cotação organizada.

    ChatGPT: o dia a dia e a resposta que você vê. A grande mudança do GPT-6 no ChatGPT é a forma da resposta. Em vez de um bloco de texto, ele pode montar gráfico, botão e formulário dentro da conversa. Para comparar três opções de hotel ou organizar a mala de uma família, isso ajuda a enxergar rápido. O Astra, o modelo topo, é apresentado como forte em usar o computador, mas o acesso a ele depende do plano.

    Gemini: material longo, vídeo, áudio e quem vive no Google. O Gemini 4 Argon lê texto, imagem, áudio e vídeo, e aceita até 1 milhão de tokens por vez. Na prática, cabe o contrato inteiro da operadora, o PDF longo do navio ou a gravação da reunião com o grupo. Se a agência já trabalha no Gmail e no Drive, ele está mais perto do material.

    Slide do carrossel de Daniel Turbox: Claude quando o texto vai para o cliente, com proposta, roteiro, remarcação, planilha e apresentação

    E o Gemini gratuito, ainda serve?

    Aqui mora o aviso mais prático deste texto.

    Desde 9 de outubro, segundo a página de ajuda do Google citada pela imprensa, quem usa o Gemini sem assinatura ficou só com o Gemini 3.5 Flash-Lite, o modelo mais leve da casa. O Argon, no app, é dos planos pagos Google AI Pro e Ultra.

    Então, se você testou o Gemini de graça esta semana e achou fraco, faz sentido. Você não testou o Gemini 4. Testou o modelo de entrada.

    Vale o mesmo para as outras. Na versão gratuita, você recebe o modelo que a empresa escolhe para o plano grátis. Antes de concluir que “a IA não serve para a minha agência”, confira qual modelo estava do outro lado.

    Slide do carrossel: Gemini para material longo, vídeo e áudio, e o aviso de que o Gemini grátis ficou só com o Flash-Lite desde 9 de outubro

    E o robô de WhatsApp da agência, muda alguma coisa?

    Muda a conversa com o fornecedor. Robô e automação não usam o chat: usam a API, que é a porta dos sistemas. Ali, o que pesa é custo e velocidade, e as três empresas têm modelos pequenos para isso: o Claude Haiku 5.5, o GPT-6 Luna e o Gemini Flash-Lite.

    E tem prazo. A OpenAI avisou que o GPT-4o, o GPT-4o mini, o GPT-4.1 e o GPT-4.1 mini saem da API em 14 de janeiro de 2027. Se o seu robô foi montado em 2024 ou 2025, pergunte ao fornecedor qual modelo ele usa e quando vai migrar. Antes da alta temporada.

    Como escolher a IA da sua agência em uma tarde?

    Do jeito que eu faria:

    1. Escolha uma tarefa real da semana. Uma proposta, um roteiro, a planilha de um grupo. Nada de pergunta de teste.
    2. Escreva o pedido uma vez, com contexto. Quem viaja, o que já conhece, o ritmo, o orçamento. Sem nome completo, CPF ou passaporte: preferência entra, documento não.
    3. Rode o mesmo pedido nas três. Na melhor versão a que você tem acesso, e anote qual era.
    4. Compare o que você precisou corrigir. Não o que ficou mais bonito. O que errou data, inventou atração ou ignorou o que o cliente pediu.
    5. Repita com outra tarefa. A IA que vence a proposta pode não vencer a planilha.
    Slide do carrossel: o teste que decide é o seu, em quatro passos

    Uma transparência: o meu dia a dia de trabalho roda no Claude, inclusive o sistema que produz o meu conteúdo. Leve isso em conta e faça o seu teste. O resultado da sua agência vale mais que a minha preferência.

    E guarde isto: trocar de ferramenta a cada lançamento cansa e não melhora o resultado. Dominar duas, sabendo para que serve cada uma, rende mais do que assinar três e usar todas pela metade. A IA faz o rascunho. Quem conhece o cliente e assina a recomendação continua sendo você.

    Perguntas frequentes

    Qual IA é melhor para agente de viagens: Claude, ChatGPT ou Gemini?

    Depende da tarefa. Pela descrição oficial de cada um, o Claude se destaca em trabalho que pede cuidado e em documento bem acabado, o ChatGPT no dia a dia com resposta visual e o Gemini em material longo, vídeo e áudio. O teste com uma tarefa real da sua agência decide melhor que qualquer ranking.

    Preciso assinar as três?

    Não. Comece pela que já usa e teste as outras na mesma tarefa. Assine uma segunda só se ela resolver uma tarefa que a primeira não resolve bem.

    Por que o Gemini gratuito parece mais fraco agora?

    Porque, desde 9 de outubro, o plano gratuito ficou só com o Gemini 3.5 Flash-Lite, o modelo mais leve. O Gemini 4 Argon está nos planos pagos Google AI Pro e Ultra.

    Posso colocar dados do cliente na IA para montar o roteiro?

    Coloque preferências, não documentos. A IA precisa saber do que o cliente gosta, não do CPF ou do passaporte dele. Isso protege o cliente e a sua agência, em qualquer uma das três.

    Fontes

    Revisado em 20 de outubro de 2026. Modelo de IA muda rápido: confira no seletor de modelo da ferramenta qual versão você está usando.

  • Fathom no iPhone: o segundo cérebro do agente de viagens

    Fathom no iPhone: o segundo cérebro do agente de viagens

    O Fathom ganhou um app para iPhone que grava conversa presencial e, quando ela termina, entrega o resumo, quem falou o quê e as tarefas. Eu uso esse app no atendimento e levo o resumo para a nota do cliente no Obsidian. É o meu segundo cérebro: na próxima conversa, eu chego sabendo o que o cliente me disse.

    Resumo rápido

    • O app oficial é da Fathom Video Inc., grátis em todos os planos e, por enquanto, só para iPhone.
    • Você grava com licença do cliente e sai da conversa com resumo e tarefas, em português.
    • No Obsidian, cada cliente vira uma nota ligada à viagem, aos fornecedores e às conversas anteriores.

    Por que o agente esquece o que o cliente conta?

    Porque o cliente conta tudo de uma vez, e quase nunca na ordem que a gente precisa. A data da viagem aparece no meio de uma história sobre o aniversário de casamento. O orçamento vem depois de um “não queremos nada muito caro”. E o detalhe que decide a viagem sai de passagem: “ah, ela enjoa em barco”.

    Quem atende anota o que dá. Num caderno, num bloco, às vezes no guardanapo do café. No dia seguinte, metade virou abreviação que ninguém entende.

    Eu parei de confiar só na memória. Gravando a conversa, eu atendo olhando para o cliente, não para o papel.

    O que o app do Fathom faz no iPhone?

    O Fathom já era conhecido por gravar reuniões online, no Zoom, no Google Meet e no Teams. O app de iPhone resolve a parte que faltava: a conversa que acontece fora do computador.

    • Grava e transcreve a conversa presencial direto do celular.
    • Quando termina, monta o resumo, as decisões e as tarefas sozinho.
    • Separa quem falou em conversas com mais de uma pessoa.
    • Guarda tudo numa biblioteca que você busca e escuta de novo no celular.
    • Responde perguntas sobre conversas antigas (o “Ask Fathom”) e leva você ao trecho exato.

    A interface está em inglês, mas eu testei no meu iPhone e a transcrição sai em português. Reunião online continua sendo gravada pelo app do computador.

    Slide do carrossel de Daniel Turbox: o Fathom agora tem app no iPhone e grava a conversa presencial, com a tela do app gravando

    Como fica o fluxo do atendimento ao segundo cérebro?

    São três passos, e só o primeiro depende de você no momento do atendimento.

    1. Grava a conversa. Você abre o app, avisa o cliente que vai gravar e explica para que serve. Depois, conversa olhando para ele, não para o caderno.

    2. Recebe o resumo. Quando a reunião termina, o Fathom processa e devolve o resumo, quem falou o quê e as tarefas. Num atendimento de lua de mel, por exemplo, as tarefas seriam algo como “cotar três hotéis” e “conferir o passaporte”.

    3. Guarda na nota do cliente. Aqui entra o meu jeito de trabalhar. Eu peço para o Claude ler o resumo no Fathom e levar para o Obsidian, na nota daquele cliente, ligada à viagem e aos fornecedores. Ele faz isso pelo conector do Fathom, sem eu copiar e colar nada.

    Slide do carrossel: o fluxo Fathom grava e resume, Claude leva o resumo, Obsidian guarda na nota do cliente

    O Obsidian é um aplicativo de notas em que uma nota aponta para a outra. Com o tempo, a nota do cliente junta a data da viagem, o orçamento, quem vai junto e aquele detalhe do barco. Quando ele volta seis meses depois para outra viagem, a ficha está ali.

    Onde o agente de viagens usa isso no dia a dia?

    Eu pensaria primeiro nos momentos em que a informação é muita e o tempo para anotar é pouco:

    • Atendimento presencial na agência. O casal que senta para montar a lua de mel conta em uma hora o que levaria dez mensagens no WhatsApp.
    • Feira, famtour e evento. A conversa de corredor com o fornecedor vira nota com o contato, a condição combinada e o próximo passo.
    • Reunião com grupo. Formatura, casamento, viagem corporativa: muita gente falando ao mesmo tempo, e o app separa quem disse o quê.
    • Pós-venda e nova venda. Na hora em que surge a pergunta “o que eu prometi para essa cliente?”, a resposta está gravada.

    Se você aplicar só no atendimento presencial, já vai sentir diferença na proposta que manda depois. Ela chega com o detalhe que o cliente falou e que o concorrente esqueceu.

    Quais cuidados tomar antes de gravar o cliente?

    Dois, e eu não pularia nenhum.

    Peça licença antes de gravar. A conversa tem dado pessoal do cliente, e a LGPD vale para ela. Diga que vai gravar, para que serve e onde fica guardado. Nunca grave escondido. Explicar que é para não esquecer nenhum detalhe da viagem dele já deixa claro que a gravação trabalha a favor do cliente.

    Baixe o app oficial. Na App Store existe cópia com nome parecido, de outra empresa, cobrando caro dentro do app. O oficial é da Fathom Video Inc., grátis em todos os planos do Fathom e, por enquanto, só para iPhone (iOS 18.6 ou mais novo). Não existe versão oficial para Android.

    Slide do carrossel: dois cuidados, peça licença antes de gravar e baixe o app da Fathom Video Inc.

    Gravar o atendimento substitui o CRM da agência?

    Não. O Fathom guarda a conversa. O CRM guarda a venda: proposta, pagamento, emissão. O segundo cérebro fica no meio, com o que o cliente é e o que ele quer.

    Tecnologia como meio, não como fim. A ferramenta só vale se o que você ouviu chega na próxima proposta. Escrevi sobre isso, com mais profundidade, no texto sobre os 5 Cs do agente do futuro, na parte em que falo do contexto.

    Perguntas frequentes

    O app do Fathom para iPhone é pago?

    Não. Segundo a página oficial na App Store, o app vem sem custo extra em qualquer plano do Fathom, inclusive no gratuito.

    O Fathom transcreve em português no celular?

    A interface do app está em inglês, mas no meu teste a transcrição da conversa presencial saiu em português.

    Tem Fathom para Android?

    Não existe app oficial para Android. Os resultados com o mesmo nome na loja do Google são de outros desenvolvedores.

    Preciso usar o Obsidian para aproveitar o Fathom?

    Não. O resumo já serve sozinho. O Obsidian é o meu jeito de juntar tudo por cliente; você pode guardar no CRM ou numa ficha que a equipe consulta.

  • Por que a IA devolve roteiro igual para todo mundo

    Por que a IA devolve roteiro igual para todo mundo

    A IA devolve roteiro igual para todo mundo porque recebe o mesmo pedido de todo mundo. O erro de quem começa a usar inteligência artificial quase nunca está no prompt. Está no que a pessoa esquece de contar: quem vai viajar, o que já conhece, o ritmo, o orçamento e o que marcou a última viagem.

    Resumo rápido

    • Peça um roteiro de 7 dias na Itália sem contexto e você recebe o roteiro que todo mundo recebe.
    • Conte quem é o cliente e a mesma IA devolve outra coisa.
    • Esse contexto já está com o agente: na conversa, no histórico e no que o cliente comentou de passagem.

    Por que a IA devolve o mesmo roteiro para todo mundo?

    Porque ela responde ao que você escreveu, e nada além disso. Quando o pedido é genérico, a resposta é a média de tudo o que existe sobre aquele destino. Para a Itália, a média é Roma, Florença e Veneza, nessa ordem, com os passeios que aparecem em qualquer guia.

    Não tem nada de errado com esse roteiro. Ele só não é de ninguém.

    Eu vejo muita gente trocando de ferramenta, procurando o prompt perfeito, comprando lista de comandos prontos. E o resultado continua parecido. O problema não é a frase. É a falta de informação sobre a pessoa que vai viajar.

    Qual é o teste que eu proponho?

    É simples e leva dois minutos. Abra a IA que você usa e escreva: monte um roteiro de 7 dias na Itália. Leia o que vier.

    Você vai receber o roteiro que todo mundo recebe. Bonitinho, organizado, com horário e dica de restaurante. Tudo igual ao que o seu concorrente recebeu ontem, quando pediu a mesma coisa.

    Slide do carrossel de Daniel Turbox: peça um roteiro de 7 dias na Itália e você recebe o roteiro que todo mundo recebe, com uma pilha de roteiros impressos idênticos

    Agora faça o segundo pedido, contando quem vai viajar. A mesma inteligência artificial vai te devolver uma outra coisa. É nessa diferença que mora a parte que interessa para quem vende viagem.

    O que contar para a IA sobre o cliente?

    Comece pelo que você já perguntaria num bom atendimento. No vídeo, eu uso o exemplo de um casal. Antes de pedir o roteiro, conte:

    • Quem é esse casal. Idade aproximada, se é a primeira viagem juntos, se é uma comemoração.
    • O que eles já conhecem. Quem já foi a Roma não quer gastar dois dias na fila do Coliseu de novo.
    • Se gostam ou não de acordar cedo. Isso muda a ordem dos passeios e o número de atividades por dia.
    • Quanto querem gastar. Não precisa do valor exato. Uma faixa já muda hotel, transporte e restaurante.
    • O que marcou a última viagem deles. É a pista mais valiosa: mostra o que eles chamam de viagem boa.
    Checklist do carrossel: o que eles já conhecem, se gostam ou não de acordar cedo, quanto querem gastar e o que marcou a última viagem

    Na prática, o pedido fica parecido com isto: “Monte um roteiro de 7 dias na Itália para um casal que já conhece Roma, não gosta de acordar cedo, quer gastar numa faixa intermediária e lembra da última viagem pela comida e pelas cidades pequenas.” Repare que o comando é o mesmo. O que mudou foi o que veio junto com ele.

    Onde está esse contexto na sua agência?

    Essa é a parte boa. O contexto, eu te garanto, já está com você. Está na conversa que você teve com o cliente, no histórico dele, naquilo que ele comentou de passagem enquanto vocês falavam de outra coisa.

    Slide do carrossel: esse contexto já está com você, na conversa com o cliente, no histórico dele e no que ele comentou de passagem

    O problema é que, em muita agência, esse contexto mora na cabeça de quem atendeu. Ou perdido no meio de um WhatsApp com meses de mensagens. Quando a viagem seguinte chega, ninguém lembra que aquele cliente detesta acordar cedo.

    Por isso eu insisto num hábito pequeno: anotar o que o cliente conta, num lugar que a equipe consulta. Pode ser um CRM, uma planilha ou uma ficha simples. O formato importa menos do que a disciplina de registrar. É esse registro que você vai entregar para a IA quando for montar a próxima proposta.

    A IA vai substituir o agente que conhece o cliente?

    Minha tese é o contrário. A IA é tão boa quanto o contexto que você dá para ela. E quem tem o contexto é quem conversa com o cliente.

    Frase do carrossel: a IA é tão boa quanto o contexto que você dá para ela

    Qualquer pessoa consegue pedir um roteiro genérico. O que separa o agente é saber o que perguntar, guardar o que ouviu e transformar isso num pedido bem contado. A ferramenta acelera o trabalho. A leitura do cliente continua sendo sua.

    Eu chamo isso de muito além do prompt. Escrevi sobre esse mesmo princípio, com mais profundidade, no texto sobre os 5 Cs do agente do futuro, na parte em que falo do contexto como o iceberg embaixo do prompt.

    Perguntas frequentes

    Qual é o melhor prompt para pedir um roteiro de viagem para a IA?

    Não existe frase mágica. Um pedido simples com bom contexto (quem viaja, o que já conhece, ritmo, orçamento e o que marcou a última viagem) rende mais do que um comando sofisticado sem informação sobre o cliente.

    Posso colocar dados do cliente na IA?

    Coloque preferências, não documentos. Para montar o roteiro, a IA precisa saber do que o casal gosta, e não de nome completo, CPF ou número de passaporte. Isso protege o cliente e a sua agência.

    Isso vale para qualquer ferramenta de IA?

    Vale. O princípio é o mesmo em qualquer assistente: ele responde ao que recebe. Quanto mais claro o contexto, mais a resposta se parece com o cliente que você tem na frente.

    Quanto contexto é suficiente?

    Comece pelas cinco perguntas do teste. Se a resposta ainda vier genérica, falta informação sobre a pessoa, não sobre o destino. Acrescente o que você descobriria numa conversa boa de atendimento.

  • Golpe de voz clonada: o que orientar antes da viagem

    Golpe de voz clonada: o que orientar antes da viagem

    Para evitar o golpe de voz clonada em viagem, combine duas coisas com o cliente antes do embarque. Uma palavra-código com a família. E uma regra: ligação urgente pedindo dinheiro se desliga, e a confirmação é feita ligando de volta para o número que já está salvo.

    Resumo rápido

    • Para clonar uma voz basta um áudio curto, que pode sair de algo publicado na internet, como um vídeo.
    • A defesa não é reconhecer a voz: é a palavra-código e a ligação de volta para o número conhecido.
    • Na agência, dado de pagamento não muda por áudio nem por ligação sem confirmar no contato do cadastro.

    O que é o golpe de voz clonada?

    É a ligação de emergência falsa feita com a voz de alguém da família, gerada por inteligência artificial. Quem atende ouve o filho, a mãe ou o neto pedindo ajuda e reage como qualquer pessoa reagiria: tenta resolver na hora.

    A Fox News contou, no dia 7 de outubro, o caso de uma mãe na Califórnia que ouviu a filha chorando ao telefone. Ela ficou cinco horas e meia na linha com o golpista e fez quatro transferências com todo o dinheiro que ela e o marido tinham disponível. A filha estava no trabalho, bem. A mãe acredita que ouviu uma versão da voz dela feita por IA.

    O que mais me chama atenção é o pouco que o golpe exige. Segundo o alerta da FTC, o órgão de defesa do consumidor dos Estados Unidos, o golpista precisa de um áudio curto da voz da pessoa, que pode sair de algo publicado na internet, e de um programa de clonagem. Só isso.

    Slide com o alerta da FTC: para clonar a voz, basta um trecho curto de áudio da pessoa, que pode sair de algo publicado na internet

    Por que isso entra na orientação pré-viagem?

    Porque a viagem junta tudo o que o golpe precisa. O viajante está longe, às vezes em outro fuso, com o celular no modo avião ou sem sinal. A família em casa demora a conseguir falar com ele. E, no meio da viagem, todo mundo posta vídeo: a voz fica publicada, pronta para quem quiser copiar.

    Não estou dizendo que todo cliente vai receber uma ligação dessas. Estou dizendo que a agência já faz a orientação pré-viagem. Já explica documento, seguro, bagagem, horário de apresentação no aeroporto. Cinco minutos a mais sobre a voz clonada cabem nessa conversa sem assustar ninguém.

    E tem um ganho que vai além da segurança. O cliente percebe que a agência pensou num risco que ele nem sabia que existia. Esse é o tipo de cuidado que diferencia quem vende viagem de quem só emite bilhete.

    O que orientar o cliente a combinar com a família?

    Quatro combinados simples, de preferência por escrito, junto com os documentos da viagem.

    • Uma palavra-código. Uma palavra ou frase que só a família conhece e que nunca apareceu em rede social. A recomendação é do FBI. Quem liga pedindo ajuda tem que saber a palavra.
    • Ligação urgente pedindo dinheiro se desliga. Sem discutir, sem negociar. A pressa é a ferramenta do golpista.
    • A confirmação é ligar de volta. Para o número que já está salvo no celular, nunca para o que ligou. É o que a FTC recomenda: não confiar na voz e falar com a pessoa num número que você sabe que é dela. Se não conseguir, tentar por outro parente ou amigo.
    • Roteiro e telefone do hotel com quem fica. Se o viajante não atende, a família tem outro caminho para confirmar que está tudo bem.
    Slide com o combinado com a família antes de embarcar: palavra-código, desligar a ligação urgente pedindo dinheiro, ligar de volta no número salvo e deixar o roteiro com quem fica

    Vale também ensinar dois sinais de alerta. O primeiro é o pedido de segredo: “não conta para ninguém”. O segundo é a forma de pagamento. A FTC cita transferência, criptomoeda e cartão-presente como meios que golpistas preferem, porque o dinheiro é difícil de recuperar.

    Na prática, a mensagem pode ser curta. Algo como: “Antes de embarcar, combine com a sua família uma palavra-código. Se alguém ligar com a sua voz pedindo dinheiro com urgência, a regra é desligar e ligar de volta para o seu número salvo. Deixamos com você o roteiro e o telefone do hotel para entregar a quem fica.” Adapte ao jeito da sua agência e mande junto com o voucher.

    Slide com a palavra-código, a pergunta que o clone não responde, e um bilhete na geladeira com a palavra coberta por um adesivo roxo

    E dentro da agência, o que muda?

    A mesma lógica vale para o balcão e para o WhatsApp da agência. A regra que eu proponho é uma só: dado de pagamento não muda por áudio nem por ligação sem confirmação no contato que está no cadastro.

    Pense em três situações. O “cliente” manda um áudio pedindo para trocar o cartão da reserva. Um “fornecedor” liga avisando que a conta para depósito mudou. Alguém da família do passageiro pede para mandar o reembolso para outra chave pix. Em todas, o caminho é o mesmo: agradecer, não mexer em nada e ligar para o contato que já estava registrado antes do pedido.

    Slide com a regra da agência: dado de pagamento não muda por áudio, e a confirmação é feita no contato do cadastro

    Uma dica que funciona bem: avisar o cliente com antecedência. Uma linha na proposta ou no contrato, dizendo que a agência nunca pede mudança de pagamento por áudio ou ligação. Assim, se alguém tentar usar o nome da agência, o cliente já sabe que tem algo errado.

    Isso não depende de ferramenta nenhuma. Depende de a equipe inteira conhecer a regra e de ninguém abrir exceção porque “a voz era igualzinha”.

    Uma chamada de vídeo resolve a dúvida?

    Hoje ajuda, mas eu não colocaria a segurança da família nela. A tecnologia de vídeo ao vivo está avançando rápido. A Tavus publicou no dia 1º de outubro um teste do Griffin, um modelo ainda em prévia de pesquisa: 48% das pessoas que conversaram com ele acharam que tinham falado com um humano. Foram 26 de 54 participantes. No modelo anterior da empresa, eram 2,4%.

    Slide com o teste da Tavus: 48% acharam que conversavam com uma pessoa de verdade, contra 2,4% no modelo anterior

    Por isso a orientação não pode depender de reconhecer voz ou rosto. Depende de um combinado que a máquina não adivinha e de um gesto que o golpista não controla: desligar e ligar de volta.

    A IA vai continuar melhorando. A regra continua simples. E quem explica essa regra para o cliente, antes de ele viajar, é o agente de viagens.

    Perguntas frequentes

    Como saber se a voz ao telefone é clonada por IA?

    Muitas vezes não dá para saber pelo som. Por isso a recomendação é não confiar na voz: desligar e ligar de volta para o número que você já tem salvo, ou pedir a palavra-código combinada.

    Quanto áudio é preciso para clonar uma voz?

    Segundo a FTC, um áudio curto basta, e ele pode sair de conteúdo publicado na internet, como um vídeo em rede social.

    O que é a palavra-código da família?

    É uma palavra ou frase secreta, combinada antes, que só a família conhece. Quem liga pedindo ajuda precisa saber a palavra. O FBI recomenda o combinado para confirmar a identidade de quem liga.

    A agência de viagens deve falar disso com o cliente?

    Eu acredito que sim. A orientação pré-viagem já cobre documento, seguro e bagagem. Cinco minutos sobre a voz clonada protegem o cliente e a família dele, e mostram que a agência cuida de detalhes que ninguém mais lembrou.

  • Check-in pelo ChatGPT: o que fica com o agente de viagens

    Check-in pelo ChatGPT: o que fica com o agente de viagens

    A Gol libera o check-in pelo ChatGPT em 19 de outubro, e isso mostra para onde as companhias aéreas estão indo: a conversa do cliente, com o processo junto. O que fica com o agente de viagens, e cresce, é consultoria e acompanhamento antes, durante e depois do voo.

    Resumo rápido

    • Check-in no ChatGPT, Apple Pay no app e Wi-Fi grátis a bordo ligado ao programa de fidelidade: as companhias aéreas estão levando o processo para onde o cliente já conversa.
    • Emitir bilhete e fazer check-in viraram passo a passo. Entender quem viaja e aparecer na hora certa, não.
    • Mais abaixo: um roteiro de pós-venda em cinco momentos e uma mensagem pronta para o dia do embarque.

    O que as companhias aéreas estão levando para a conversa do cliente?

    O processo. Três notícias da mesma semana mostram o movimento.

    A Gol libera o check-in pelo ChatGPT para toda a base de clientes em 19 de outubro. O passageiro digita @gol, faz login no ambiente oficial da companhia, escolhe o assento e sai com o cartão de embarque. Vale até para quem usa a versão gratuita.

    A LATAM passou a aceitar Apple Pay no aplicativo, para voo, assento, bagagem e até seguro viagem.

    E o Wi-Fi grátis a bordo ganhou data. A American vai levar a internet da Starlink para mais de mil aviões. A KLM está ampliando a internet grátis para os voos intercontinentais, com acesso pelo login no Flying Blue, o programa de fidelidade dela. A Royal Air Maroc vai instalar o serviço em 41 aviões, grátis para quem está no Safar Flyer. Nas três, as instalações começam em 2027 e vão ser graduais.

    Repara no desenho. O cliente vai fazer o check-in conversando, pagar com um toque e passar o voo conectado, identificado na conta da companhia.

    Slide do carrossel com os três passos do check-in da Gol pelo ChatGPT: digitar @gol, fazer login no ambiente oficial da companhia e sair com o cartão de embarque com QR Code

    Por que a companhia aérea quer estar na conversa do cliente?

    Porque é ali que o cliente já está.

    Na apresentação da novidade, o CIO da Gol lembrou que a companhia foi a primeira a permitir check-in pela internet no Brasil. E disse que a integração com o ChatGPT “pode ser facilmente automatizada com a criação de agentes”.

    Agentes de IA. Não de viagens.

    Eu entrei no turismo pela porta da companhia aérea: aos 17, estagiário na central de reservas da TAM. Desde então, vi o check-in mudar de endereço mais de uma vez. Do balcão do aeroporto para o site, do site para o aplicativo. Agora vai para dentro de um chat.

    Cada mudança dessas tirou um pedaço do operacional das mãos de alguém e, ao mesmo tempo, deixou mais claro o que nunca mudou de endereço: a confiança do cliente em quem cuida da viagem dele.

    Tudo o que é processo vai para onde o cliente já conversa, feito pela própria companhia. Check-in, assento, pagamento. Com o Wi-Fi ligado ao programa de fidelidade, até as horas de voo, que costumavam ser o momento em que o cliente ficava fora do ar, passam a acontecer dentro do ambiente da companhia aérea.

    Isso não me assusta. Me dá clareza.

    O que fica com o agente de viagens quando o processo vai para o chat?

    Consultoria e acompanhamento. Tudo o que depende de entender quem viaja e de estar presente na hora certa.

    Emitir bilhete, muita gente emite. Fazer check-in, agora até o ChatGPT faz. O que a companhia não leva para o chat é a pergunta certa antes da compra: quem vai viajar, com quem, para quê e o que não pode dar errado nessa viagem.

    Um exemplo pequeno, tirado da própria notícia. No check-in pelo ChatGPT, o passageiro escolhe o assento, mas a marcação antecipada tem custo. Vale pagar? Depende de quem viaja. Para uma família com criança pequena que quer sentar junto, provavelmente sim. Para quem vai sozinho num voo curto, talvez não faça diferença. A IA executa a escolha. Quem ajuda o cliente a decidir é você.

    A minha leitura é que cliente não volta por causa do check-in. Volta porque alguém acertou a viagem. Revisou o detalhe. Apareceu quando ele precisou.

    Por isso não vejo essas notícias como ameaça. A tecnologia leva o processo e devolve tempo, e eu colocaria esse tempo inteiro no acompanhamento.

    Tecnologia como meio, não como fim.

    Slide do carrossel comparando o que cada um leva para a conversa: a companhia aérea leva check-in, assento e pagamento; a agência leva consultoria

    Roteiro de pós-venda: como acompanhar o cliente antes, durante e depois do voo

    A agência que some depois da emissão vira intermediária. A que acompanha vira parte da viagem.

    Na prática, eu dividiria o pós-venda em cinco momentos, sempre com uma regra: cada mensagem precisa ter motivo para existir.

    1. Na emissão: deixe a viagem pronta para o que vem

    Confira se o cliente tem conta no programa de fidelidade da companhia e se o número está na reserva. Na KLM e na Royal Air Maroc, ser membro do programa vai ser a chave do Wi-Fi grátis. Na mesma conversa, pergunte por onde ele prefere receber os avisos da viagem.

    2. Na semana do voo: oriente antes que ele pergunte

    Uma mensagem curta com horário, bagagem incluída, documentos e o caminho do check-in (se o voo for da Gol, conte que dá para fazer pelo ChatGPT). Se o assento importa, resolva agora, com calma, e não minutos antes de sair de casa.

    3. No dia do embarque: o WhatsApp que mais pesa

    Para mim, é a mensagem mais importante do pós-venda. Pode copiar e ajustar ao seu jeito de falar:

    “Bom dia, [nome]! Hoje é dia de voo. Se fizer o check-in pelo ChatGPT ou pelo app, me manda um print do cartão de embarque que eu confiro nome, horário e assento com você. Qualquer imprevisto no aeroporto, me chama aqui. Boa viagem!”

    Veja que a mensagem não disputa com a tecnologia: deixa o cliente usar a ferramenta que preferir e coloca você como a segunda conferência, a que pega o erro antes da hora.

    4. Durante a viagem: presença sem barulho

    Uma mensagem na chegada e um lembrete na véspera do que estiver marcado, como transfer ou passeio. Mais que isso vira ruído.

    Quando o avião do cliente tiver internet, ele vai poder responder até do voo. Eu não usaria isso para mandar mais mensagens. Usaria para mandar a certa: se o voo atrasou e a conexão ficou apertada, ele lê o seu plano B antes de pousar.

    5. Na volta: feche o ciclo e prepare a próxima

    Dois ou três dias depois do retorno, pergunte como foi. Nada de formulário. Conversa: o que ele repetiria, o que mudaria, se o assento fez diferença.

    Anote tudo na ficha do cliente. A próxima cotação começa ali, com o que ele te contou, e não com o que um sistema adivinhou.

    Slide do carrossel com uma lupa sobre um cartão de embarque e o aviso de que a IA pode errar, por isso é preciso revisar o check-in feito pelo ChatGPT

    Check-in pelo ChatGPT: como explicar ao cliente que a IA pode errar

    Sem brigar com a ferramenta. O cliente vai usar o ChatGPT, e é bom que use. O seu papel é ser a conferência.

    O próprio Melhores Destinos, ao noticiar o check-in da Gol, lembrou que a inteligência artificial pode errar e pediu atenção redobrada aos detalhes.

    Na conversa, eu diria três coisas:

    • Pode usar. É prático, e a Gol informa que o login acontece numa aba do ambiente oficial dela, sem o ChatGPT acessar a senha.
    • Confere o básico. Nome, data, horário, assento e bagagem. Se algo estiver diferente da reserva, para e me chama.
    • Me manda o cartão. Eu prefiro que o erro apareça aqui na conversa, e não no portão de embarque.

    Dito desse jeito, a IA não vira vilã nem concorrente. Vira ferramenta do cliente, com um agente olhando junto.

    E na sua agência: quem fala com o cliente no dia do embarque?

    Se este texto fez sentido, manda para aquele colega que ainda some depois da emissão. A companhia aérea já entrou na conversa do cliente. A agência precisa estar lá também, com o que a companhia não tem.

    Perguntas frequentes

    Como funciona o check-in pelo ChatGPT da Gol?

    A partir de 19 de outubro, o passageiro digita @gol no ChatGPT, faz login numa aba do ambiente oficial da Gol, escolhe o assento e gera o cartão de embarque com QR Code. Funciona também na versão gratuita, sem custo adicional pela função.

    É seguro fazer o check-in pelo ChatGPT?

    Segundo a Gol, o login acontece no ambiente oficial e criptografado da companhia, e o ChatGPT não acessa as credenciais do passageiro. Como a IA pode errar, vale conferir nome, data, horário e assento antes de ir para o aeroporto.

    O Wi-Fi grátis no avião muda alguma coisa para a agência?

    Muda onde o cliente passa o voo: conectado e, na KLM e na Royal Air Maroc, identificado pelo programa de fidelidade. Para a agência, é mais um motivo para não sumir depois da emissão.

    O que o agente de viagens deve fazer no dia do embarque?

    Uma mensagem curta no WhatsApp, oferecendo conferir o cartão de embarque e ajudar em qualquer imprevisto no aeroporto. É o contato que mostra que alguém está cuidando da viagem.

  • Como pesquisar passagem com IA sem cair na opção mais cara

    Como pesquisar passagem com IA sem cair na opção mais cara

    Para pesquisar passagem com IA sem cair na opção mais cara, dê o teto de preço em número. Em vez de “a mais barata”, escreva até quanto o cliente paga por pessoa e o que entra no valor. Foi o que funcionou melhor num estudo com 325 mil testes.

    Resumo rápido

    • Num estudo da Cisco com a Carnegie Mellon, 8 de 13 agentes de IA recomendaram opções mais caras para perfis que pareciam ter mais dinheiro, com o mesmo pedido.
    • Pedir “o mais barato” nem sempre resolveu. Um limite de preço em número funcionou melhor.
    • Na agência: teto em reais por pessoa, o que entra no valor, a opção mais barata na lista e conferência no sistema antes de mandar ao cliente.

    O que o estudo descobriu sobre agentes de IA e preço?

    Descobriu que o agente pode puxar a recomendação para cima quando acha que você tem dinheiro. Pesquisadores da Cisco e da Carnegie Mellon testaram 13 agentes de IA como assistentes de compra, em 325 mil experimentos. Três tipos de decisão: passagem aérea, plano de saúde e programa de pós-graduação. O pedido era sempre o mesmo. O que mudava era o perfil de quem pedia.

    Oito dos 13 recomendaram opções mais caras para os perfis que pareciam mais ricos. Ninguém pediu para levar a renda em conta. O agente fez isso sozinho, inclusive quando só tinha e-mails sem relação com a compra para tirar a conclusão.

    Envelopes abertos com extratos e gráficos ao lado de um notebook com a caixa de e-mail aberta, as pistas que o agente de IA usou para deduzir a renda

    O exemplo que abre o estudo é de passagem. O pedido: o voo mais barato para Chicago. Sem ler os e-mails, o agente trouxe uma passagem econômica de US$ 91. Lendo, achou três e-mails sobre finanças, concluiu que aquela pessoa pagaria mais e recomendou uma executiva de US$ 601. A passagem de US$ 91 continuava disponível.

    Um cuidado antes de seguir: é um pré-print, com perfis fictícios e catálogos montados pelos pesquisadores. Não houve cliente real. Mesmo assim, o padrão apareceu em quatro famílias de modelos diferentes, e foi isso que me fez parar para olhar com calma.

    Por que pedir “o mais barato” não basta?

    Porque, para a IA, “barato” pode ser relativo. Os próprios autores levantam essa hipótese: depois de montar um retrato do usuário, o agente pode entender “o mais barato” como o mais barato entre o que ele acha que aquela pessoa pode pagar com folga.

    Os números mostram o tamanho disso. Em um dos modelos testados, quem parecia rico pediu o voo mais barato e recebeu, em média, opções US$ 208 mais caras do que quem parecia ter pouco dinheiro. Mesmo pedido, palavra por palavra. Em outros modelos, a diferença com esse pedido foi bem menor.

    Ou seja: às vezes funciona, às vezes não. E você não sabe de antemão qual vai ser.

    Tem um detalhe que me incomoda mais do que o valor. Na maior parte dos casos, o agente simplesmente entregou a opção mais cara, sem avisar que existia uma mais barata. Se ninguém conferir, a cotação chega ao cliente com cara de “foi o melhor que eu achei”.

    Como escrever o teto de preço no pedido para a IA?

    Com um número, e não com um adjetivo. No teste de passagem do estudo, o pedido com limite era “abaixo de US$ 200”. Com ele, a diferença entre os perfis caiu para perto de zero na maioria dos modelos mais capazes. Não em todos, e por isso a conferência continua sendo sua.

    Na agência, eu montaria o pedido com quatro peças:

    • O teto, em reais e por pessoa. “Até R$ [valor] por pessoa” é diferente de “barato” e diferente de “até R$ [valor] no total”.
    • O que entra no valor. Ida e volta, bagagem despachada, taxas. Sem isso, a IA compara preços que não são comparáveis.
    • As condições que não mudam. Datas, aeroporto de saída, número de paradas que o cliente aceita.
    • A lista, não só a recomendação. Peça as opções dentro do teto, da mais barata para a mais cara, e a mais barata que ela encontrou, mesmo que recomende outra.

    Na prática, o pedido fica parecido com isto: “Procure voos de São Paulo para Lisboa, ida e volta, saindo na primeira quinzena de março, com uma mala despachada, até R$ [valor] por pessoa com taxas. Liste as opções dentro desse valor, da mais barata para a mais cara, e me diga qual foi a mais barata que você encontrou.”

    Repare que o pedido não fala nada sobre o cliente. Fala sobre a viagem e sobre o limite.

    Assento de classe executiva vazio com uma etiqueta de preço em branco pendurada no braço, a opção mais cara que o agente de IA recomendou

    O contexto do cliente atrapalha a pesquisa de tarifa?

    Pode atrapalhar, se o preço ficar por conta da dedução da IA. Eu defendo dar contexto para a inteligência artificial. Quem viaja, o ritmo, o que marcou a última viagem: isso muda um roteiro de verdade. Escrevi sobre isso no texto dos 5 Cs do agente do futuro, na parte do contexto como o iceberg embaixo do prompt. O estudo não contradiz essa ideia. Ele mostra onde o contexto pode puxar para o lado errado.

    Quando a ferramenta lê e-mails, histórico ou perfil, ela tira conclusões que ninguém pediu. No estudo, esconder as informações financeiras reduziu bastante a diferença. Esconder outras, como emprego ou bairro, não resolveu e às vezes até aumentou, porque o agente achava a pista em outro lugar.

    A minha leitura para o agente de viagens é esta: contexto serve para entender o cliente. Quanto ele quer gastar, quem diz é ele. E quando ele disser, isso entra no pedido como número.

    O que conferir antes de mandar a cotação ao cliente?

    Quatro coisas, e a IA não faz nenhuma delas por você. Ela acelera a pesquisa, mas a cotação continua sendo da agência. Antes de mandar, eu conferiria:

    • Se todas as opções estão dentro do teto que o cliente deu.
    • Se a mais barata da lista existe mesmo, no seu sistema ou no site da companhia.
    • Se o valor inclui o que foi combinado: ida e volta, bagagem e taxas.
    • Se a recomendação veio com motivo. Quando a IA sugerir algo acima do teto, ela precisa dizer por quê. E quem decide é o cliente.

    Parece muito para uma busca de passagem. Na prática, é uma linha a mais no pedido e dois minutos de conferência. Bem menos do que explicar para o cliente por que a cotação veio cara.

    Perguntas frequentes

    Os agentes de IA cobram mais caro de quem tem dinheiro?

    No estudo, o preço de cada opção era fixo. O que mudou foi a recomendação: 8 de 13 agentes apontaram opções mais caras para perfis que pareciam ricos, com o mesmo pedido.

    Pedir “a passagem mais barata” funciona?

    Às vezes. Em alguns modelos, a diferença entre perfis quase sumiu com esse pedido. Em um deles, ficou em US$ 208, em média. Um teto de preço em número funcionou melhor.

    O estudo foi feito com clientes reais?

    Não. É um pré-print publicado no arXiv, com perfis fictícios e catálogos de opções montados pelos pesquisadores, todos nos Estados Unidos. O padrão apareceu em quatro famílias de modelos, mas ainda precisa ser testado com gente de verdade.

    Devo parar de dar contexto do cliente para a IA?

    Não. Contexto melhora roteiro e atendimento. Para preço, coloque o limite em número e confira as opções antes de mandar ao cliente.

  • Agentes de viagens usam inteligência artificial?

    Agentes de viagens usam inteligência artificial?

    Sim, e já são maioria. Numa pesquisa da Takedown Research para a Amadeus com mais de 750 profissionais de venda de viagens, mais de 3 em cada 4 disseram que a IA faz parte das ferramentas de venda. Nas Américas, porém, 35% dizem que ainda não usam IA para vender.

    Resumo rápido

    • A IA entra em quatro pontos da venda: pesquisar opções, comparar conteúdos, montar recomendações e ganhar produtividade. A IA de conversa é o uso principal em todas as regiões.
    • As Américas são a região mais cautelosa, e o próprio estudo diz que isso pode mudar conforme as ferramentas entrarem no dia a dia.
    • Meu conselho: começar por uma tarefa que você já faz e conferir sempre descrição e tarifa antes de mandar qualquer coisa ao cliente.

    O que a pesquisa da Amadeus descobriu?

    Que a IA já faz parte da rotina de venda da maioria dos agentes que trabalham com os grandes sistemas de distribuição.

    O estudo é feito a cada dois anos e, desta vez, ouviu mais de 750 profissionais de venda que usam Amadeus, Sabre e Travelport, com os resultados ponderados para representar todas as regiões por igual. A Amadeus publicou os destaques no próprio site em 29 de setembro, e o Travel Tech Hub trouxe os números para o português em 13 de outubro.

    Mais de 3 em cada 4 agentes dizem que a IA faz parte das ferramentas de venda. Mas o retrato muda de região para região:

    • Na Ásia-Pacífico, os agentes já usam aplicações mais avançadas, como sugestão de roteiro (36%), recomendação dentro do CRM (32%) e ferramentas de fraude ou controle de qualidade (21%).
    • Na Europa, Oriente Médio e África, 62% usam IA de conversa, como ChatGPT, Copilot e Gemini.
    • Nas Américas, 35% dizem que não usam IA para vender.

    Repara num detalhe. Em média, esses agentes acessam os GDS mais de seis vezes por dia e ficam quase oito horas conectados. Não é um grupo distante da tecnologia. Mesmo assim, nas Américas, mais de um em cada três ainda não levou a IA para a venda.

    Slide com os números da pesquisa: mais de 75% dos agentes usam IA nas ferramentas de venda no mundo e 35% dos agentes das Américas dizem que não usam

    Onde a IA já entra na venda de viagens?

    Em quatro pontos, segundo os próprios agentes: pesquisar opções, comparar conteúdos, montar recomendações e ganhar produtividade.

    Nenhum desses usos é uma tarefa nova. É o que o agente já faz todo dia, só que com ajuda. Na prática, eu traduzo assim:

    • Pesquisar opções: levantar hotéis, bairros ou passeios que cabem no perfil do cliente antes de abrir o sistema para cotar.
    • Comparar conteúdos: pôr lado a lado o que dois hotéis dizem sobre quarto, café da manhã, localização e política de cancelamento.
    • Montar recomendações: transformar o que o cliente contou no atendimento numa sugestão com cara de consultoria.
    • Ganhar produtividade: resumir uma conversa longa, revisar uma proposta, responder mais rápido.

    O uso que mais aparece em todas as regiões é o mais simples: conversar com a IA. Para começar, ninguém precisa contratar sistema novo nem esperar a ferramenta perfeita.

    A pesquisa também conta que ferramentas de busca automática de tarifa e plataformas de sugestão de roteiro com IA já são usadas por 29% dos agentes no mundo, cada uma. Vale acompanhar. Mas não é por aí que eu começaria.

    Slide com os quatro usos de IA citados pelos agentes: pesquisar opções, comparar conteúdos, montar recomendações e ganhar produtividade

    Por que os agentes das Américas estão mais cautelosos?

    A pesquisa não explica o motivo. Ela registra a cautela e arrisca uma previsão: isso pode mudar conforme as ferramentas entrarem no fluxo do dia a dia.

    Eu concordo com a previsão e acrescento uma leitura minha. Cautela, por si só, não é atraso. O agente de viagens lida com dinheiro, documento e expectativa do cliente. Desconfiar de uma ferramenta que pode inventar uma informação é saudável.

    O problema começa quando a cautela vira espera. Espera pelo sistema certo, pelo curso completo, pela semana em que a agência estiver menos corrida. Essa semana quase nunca chega.

    Por isso eu gosto de inverter a pergunta. Em vez de “que ferramenta de IA eu devo usar?”, pergunte “qual tarefa da minha semana dá mais trabalho e se repete?”. A IA entra por ali.

    Onde os agentes acham que a IA pode ajudar mais?

    Em todas as regiões, os agentes apontaram as mesmas áreas: sugestões de preço e de venda adicional, recomendação de hotel, inspiração de destino e comparação de conteúdo.

    Repara que a lista é toda de trabalho de venda. O que aparece ali é apoio para o agente chegar mais rápido a uma boa sugestão e não esquecer de oferecer o que faz sentido para aquela viagem, como um seguro, um transfer ou um passeio.

    É também onde mora o risco de exagero. Uma sugestão de venda adicional que não conversa com o perfil do cliente soa como empurrar produto. A IA pode listar as opções. Escolher qual oferecer, e como, é decisão de quem conhece quem vai viajar.

    Slide com as áreas em que os agentes veem espaço para a IA: sugestão de preço e venda adicional, recomendação de hotel, inspiração de destino e comparação de conteúdo

    O que a IA não substitui na comparação de hotéis?

    A conferência. A IA compara o que está escrito, e o que está escrito nem sempre está completo.

    A mesma pesquisa mostra que 90% dos agentes usam as descrições fornecidas pelos hotéis para comparar e recomendar. E 94% consideram a paridade de tarifas altamente importante: 63% dizem que procurariam outra opção se percebessem preço diferente entre canais.

    Junta as duas coisas e o papel de quem vende fica claro. Se a descrição do hotel não fala da obra na piscina, a comparação feita pela IA também não vai falar. Se a tarifa que ela encontrou não bate com a do sistema, quem responde para o cliente é você.

    É a mesma lógica que eu repito sobre contexto: a IA é tão boa quanto o que você dá para ela. Na comparação de hotéis, isso vale para a descrição, para a tarifa e para o que você sabe do cliente.

    Slide com duas fichas de hotel lado a lado e o lembrete de que 90% dos agentes usam as descrições dos hotéis para comparar e recomendar

    Como começar a usar IA na venda sem mudar de sistema?

    Escolha uma tarefa que você já faz toda semana e teste com a IA de conversa que você tem à mão. Aqui vão três pedidos prontos para adaptar:

    1. Comparar dois hotéis: “Compare os dois hotéis abaixo para um casal em lua de mel, usando só as descrições que eu colei. Mostre o que muda em quarto, café da manhã, localização e cancelamento. Se alguma informação não estiver no texto, diga que não está.”
    2. Rascunho de proposta: “A partir das anotações do atendimento abaixo, escreva um rascunho de proposta em tom próximo, com destino, datas, perfil dos viajantes e três sugestões de passeio. Não invente preço.”
    3. Venda adicional: “Para esta viagem, liste serviços que fazem sentido oferecer, como seguro, transfer ou passeio, e explique em uma frase por que cada um ajuda o cliente.”

    Uma regra vale para os três: antes de mandar qualquer coisa ao cliente, confira tarifa, datas e política no sistema e com o fornecedor. A IA acelera o rascunho. A responsabilidade continua sua.

    Se você quer ir além do primeiro teste, eu escrevi sobre as competências que separam quem opera a IA de quem é operado por ela no texto O Agente do Futuro: os 5 Cs da IA no turismo.

    Slide com três tarefas para começar a usar IA na venda: comparar dois hotéis, transformar anotações do atendimento em proposta e pedir ideias de serviço adicional

    Perguntas frequentes

    Quantos agentes de viagens usam inteligência artificial?

    Segundo a pesquisa da Takedown Research para a Amadeus, mais de 3 em cada 4 profissionais de venda de viagens dizem que a IA faz parte das ferramentas de venda. A amostra tem mais de 750 agentes que usam Amadeus, Sabre e Travelport.

    Os agentes das Américas usam menos IA?

    A região é a mais cautelosa: 35% dos agentes das Américas dizem que não usam IA para vender. A própria pesquisa diz que isso pode mudar conforme as ferramentas entrarem no dia a dia.

    Para que o agente de viagens usa IA na venda?

    Para pesquisar opções, comparar conteúdos, montar recomendações e ganhar produtividade. A IA de conversa é o uso mais comum em todas as regiões.

    A IA pode comparar hotéis sozinha?

    Ela compara o que está escrito nas descrições, que 90% dos agentes usam para recomendar hotéis. Por isso a conferência de descrição, tarifa e política continua com o agente antes de a proposta ir para o cliente.