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  • Como tirar o ETIAS sem cair em golpe

    Como tirar o ETIAS sem cair em golpe

    Hoje, ninguém consegue tirar o ETIAS. A autorização de entrada na Europa ainda não está em operação e não tem data para começar. Quando abrir, o pedido será feito só no site oficial da União Europeia ou no app oficial, por 20 euros. Site que cobra pelo ETIAS agora não é oficial.

    Resumo rápido

    • Mais de 150 sites não oficiais já oferecem o ETIAS, que ainda nem começou a valer.
    • O oficial: site ou app da União Europeia, 20 euros, um pedido por passaporte, válido por 3 anos.
    • A agência pode fazer o pedido pelo cliente quando o sistema abrir, com transparência sobre o que é taxa e o que é serviço.

    O que aconteceu com o ETIAS nesta semana?

    A PANROTAS publicou, com informações do The Guardian, que mais de 150 sites não oficiais estão oferecendo serviços para obter o ETIAS. A ABTA, a associação britânica de agências de viagens, orientou os viajantes a não tentar pedir o documento agora.

    O motivo é simples: não há o que pedir. O próprio site da União Europeia diz que o ETIAS não está em operação e que nenhum pedido está sendo recebido. A data de início vai ser avisada com meses de antecedência.

    Ou seja, quem pagou por um ETIAS nas últimas semanas pagou por nada. No melhor caso, perdeu dinheiro. No pior, entregou passaporte, endereço e dados do cartão para quem não devia.

    Por que o golpe chega antes do sistema?

    Porque a dúvida chega antes. O cliente ouve falar que vai precisar de uma autorização nova para a Europa, fica com medo de ser barrado e vai ao Google. Digita “ETIAS”. Clica no primeiro resultado que parece oficial.

    E os sites falsos são feitos para parecer oficiais. Segundo a ABTA, eles imitam o visual de páginas de governo, usam endereços parecidos com o verdadeiro e publicam regras erradas. O risco vai de pagar a mais até ter a identidade roubada.

    É aqui que eu vejo a oportunidade para a agência. O cliente que vai à Europa no ano que vem está com essa dúvida agora. Quem responder primeiro, com informação certa, vira a referência dele no assunto. E quem vira referência numa dúvida chata costuma ficar com a venda da viagem.

    Slide do carrossel: o golpe do ETIAS vai chegar antes do ETIAS; o site falso imita visual de governo e endereço, e o cliente perde dinheiro e dados

    O que é oficial sobre o ETIAS?

    Tudo o que está abaixo vem do site oficial da União Europeia, conferido em 24 de outubro de 2026. Antes de repassar qualquer regra ao cliente, eu confiro lá de novo, porque o calendário já mudou mais de uma vez.

    • Situação: o ETIAS não está em operação. A data de início será anunciada meses antes.
    • Onde pedir: só no site oficial do ETIAS ou no app oficial. Todo endereço oficial da União Europeia termina em europa.eu.
    • Quanto custa: 20 euros. Menores de 18 anos e maiores de 70 não pagam, mas também precisam da autorização. A taxa não é devolvida se o pedido for negado.
    • Validade: 3 anos ou até o passaporte vencer, o que acontecer primeiro. Com ela, a estadia é de até 90 dias em qualquer período de 180.
    • Um por pessoa: o pedido é individual e ligado ao passaporte. Não existe pedido de família nem de grupo.
    • Prazo: a maioria sai em minutos. Alguns podem levar até 96 horas, e casos que pedem documento extra ou entrevista levam mais.
    Slide do carrossel: o que é oficial sobre o ETIAS segundo a União Europeia, hoje sem pedidos, só no site ou app oficial, 20 euros

    Quais sinais mostram que o site é falso?

    Enquanto o sistema não abre, qualquer cobrança já é o sinal. Mas, para quando abrir, eu ensinaria o cliente a reparar em quatro coisas:

    • Pede pagamento antes da hora. Hoje não existe pedido aberto. Depois, a UE avisa a data com antecedência.
    • Endereço sem europa.eu. Parecido com o oficial não é oficial. Vale olhar a barra do navegador, não o logotipo da página.
    • Valor acima de 20 euros sem explicação. A própria UE diz que tudo o que passa de 20 euros vai para o intermediário. Pode existir serviço honesto cobrando a mais, mas ele precisa dizer quanto é dele.
    • Pedido “para a família toda”. O ETIAS é um por passaporte. Quem oferece pacote familiar não conhece a regra ou está contando que o cliente não conheça.

    Na semana passada escrevi sobre como o cliente confere se a passagem aérea é verdadeira. A lógica é a mesma: a conferência não é no documento bonito, é na fonte oficial.

    A agência pode fazer o pedido do ETIAS pelo cliente?

    Pode. O site da União Europeia diz que um amigo, um familiar ou um intermediário comercial, como uma agência de viagens, pode enviar o pedido em nome do viajante, desde que os dois assinem uma declaração de representação.

    Eu vejo isso como serviço, e serviço pode ser cobrado. O cuidado está na transparência: a taxa oficial é de 20 euros e vai para a União Europeia. O que você cobrar a mais é pelo seu trabalho, e o cliente precisa saber disso por escrito.

    É exatamente essa clareza que separa a agência do site falso. O site falso esconde quanto é taxa e quanto é dele. A agência mostra.

    Mais um detalhe que a UE reforça: o e-mail do pedido tem que ser um que o viajante acessa. É por ele que chegam a confirmação e qualquer aviso sobre a autorização.

    Slide do carrossel: quando o ETIAS abrir, a agência pode fazer o pedido pelo cliente com declaração de representação, deixando claro o que é taxa e o que é serviço

    O que a agência avisa ao cliente agora?

    Eu não esperaria o sistema abrir. Faria quatro coisas esta semana:

    • Avisar quem já comprou ou está cotando Europa que, por enquanto, não há nada para pedir.
    • Mandar só o link oficial, nunca o resultado do Google: travel-europe.europa.eu/etias.
    • Pedir ao cliente que mostre qualquer cobrança de ETIAS antes de pagar.
    • Acompanhar a data no site oficial e avisar a carteira quando ela sair.

    A mensagem que eu mandaria no WhatsApp, trocando o que está entre colchetes:

    Oi, [nome]! Você deve ter ouvido falar do ETIAS, a autorização nova para entrar na Europa. Ela ainda não começou e ninguém consegue tirar agora, mas já tem site cobrando por ela. Se alguém pedir pagamento, não pague e me chama. Quando abrir, eu te aviso e a gente resolve juntos, só pelo site oficial.

    É uma mensagem curta. Mas ela coloca a agência no lugar de quem cuida da viagem antes de o problema aparecer.

    Perguntas frequentes

    Quando o ETIAS começa a valer?

    Ainda não há data. O site oficial da União Europeia informa que o ETIAS não está em operação e que a data de início será anunciada meses antes.

    Quanto custa o ETIAS?

    20 euros no site ou no app oficial. Menores de 18 e maiores de 70 anos não pagam, mas também precisam da autorização.

    Brasileiro vai precisar do ETIAS?

    Vai. O ETIAS vale para quem não precisa de visto para estadias curtas nos países europeus que vão exigi-lo, e o Brasil está nesse grupo.

    Dá para tirar um ETIAS para a família toda?

    Não. O pedido é individual e ligado ao passaporte de cada pessoa, inclusive das crianças.

  • Como saber se a passagem aérea é verdadeira

    Como saber se a passagem aérea é verdadeira

    Para saber se uma passagem aérea é verdadeira, o cliente abre o site ou o app da companhia, digita o localizador e o sobrenome e confere se a reserva aparece com o nome, os voos e as datas certas. Se não aparecer, a passagem não existe, por mais bonito que seja o bilhete.

    Resumo rápido

    • A IA deixou barato fabricar um bilhete com cara de verdadeiro. O que ela não fabrica é a reserva no sistema da companhia aérea.
    • Três conferências resolvem: localizador, número do bilhete e quem vendeu (CNPJ e Cadastur).
    • A agência que ensina o cliente a conferir ganha confiança, em vez de perder venda para a desconfiança.

    O que aconteceu no Maranhão?

    Nesta semana, uma mulher foi presa no Maranhão suspeita de vender passagens aéreas falsas feitas com inteligência artificial. A promessa era viajar pelo Brasil e pelo exterior durante um ano inteiro, pagando só a taxa de embarque. Cada pacote custava de R$ 8 mil a R$ 10 mil.

    Segundo o G1, são pelo menos 30 vítimas desde 2024. O bilhete nunca era emitido. Quando o passageiro chegava ao aeroporto e não conseguia embarcar, a desculpa era overbooking ou falha no sistema da companhia. A notícia completa está na PANROTAS.

    Eu não vou me alongar no caso. O que me interessa é o que ele muda no dia a dia de quem vende viagem de verdade.

    Slide do carrossel: a promessa de viajar um ano pagando só a taxa de embarque, de 8 a 10 mil reais por pacote, mais de 30 vítimas desde 2024

    Por que a IA mudou esse tipo de fraude?

    Porque o documento deixou de ser prova. Antes, montar um bilhete convincente dava trabalho. Hoje, qualquer pessoa pede para uma ferramenta de imagem um cartão de embarque com logo, horário, assento e QR code. Sai em segundos, e sai bonito.

    Só que bonito não quer dizer emitido.

    A passagem de verdade não mora no PDF. Ela mora no sistema da companhia aérea. O PDF é só uma foto dessa reserva. Se a reserva não existe lá, não há bilhete que salve o cliente no portão de embarque.

    É por isso que eu tiro a conferência do documento e levo para o lugar onde a fraude não chega: o site ou o app da própria companhia.

    Slide do carrossel: o que dá para copiar num bilhete falso e o que não dá, a reserva no sistema da companhia

    Como o cliente confere a passagem em 1 minuto?

    São três conferências. Todas o cliente faz sozinho, pelo celular, sem precisar ligar para ninguém.

    1. O localizador

    É o código da reserva, com 6 letras e números. Com ele e o sobrenome do passageiro, a reserva abre no site ou no app da companhia, em “Minhas viagens” ou num nome parecido. Se abre com o nome certo, os voos certos e as datas certas, a reserva existe.

    2. O número do bilhete

    O bilhete eletrônico tem 13 dígitos, e os 3 primeiros identificam a companhia aérea. Ele aparece na reserva quando a passagem foi emitida. Reserva sem número de bilhete é lugar segurado, não passagem paga e emitida. Vale explicar essa diferença ao cliente, porque ela pega muita gente.

    3. Quem vendeu

    Agência de turismo regular tem CNPJ e cadastro no Cadastur, o cadastro do Ministério do Turismo. Qualquer pessoa consulta no site do Cadastur. Se quem vendeu não tem nenhum dos dois, o cliente já tem um bom motivo para parar e perguntar.

    Slide do carrossel: as 3 conferências antes de fechar a compra, localizador, número do bilhete e quem vendeu

    Quais sinais deveriam acender o alerta?

    No caso do Maranhão, quase todos os sinais clássicos estavam lá. Eu desconfiaria na hora de quatro coisas:

    • Preço que não fecha. Um ano de voos por menos do que custa uma viagem internacional não tem conta que explique.
    • Sem localizador. “O código chega perto da data” é a frase de quem não emitiu nada.
    • Pagamento para uma pessoa. Conta diferente da empresa que vendeu merece pergunta antes do Pix.
    • Desculpa pronta no dia do voo. Overbooking existe, mas quem passou por um sabe: a companhia resolve no balcão, com a reserva na tela.

    Para o golpe que chega por telefone, com voz parecida com a de um parente, escrevi também sobre o que orientar o cliente antes da viagem.

    O que a agência muda no atendimento a partir de hoje?

    Aqui está o ponto que eu acho mais importante. Notícia de fraude espalha desconfiança pelo setor inteiro. O cliente que leu sobre o Maranhão passa a olhar torto para qualquer um que vende viagem, inclusive para a sua agência, que nunca fez nada de errado.

    Dá para brigar com isso. Ou dá para usar a favor.

    Eu usaria a favor, com quatro mudanças simples:

    • Mandar o localizador junto com o bilhete, sempre. Não só o PDF.
    • Ensinar o cliente a abrir a reserva no app da companhia. Uma mensagem pronta resolve, e eu deixo uma logo abaixo.
    • Deixar CNPJ e Cadastur visíveis no site, na proposta e na assinatura do WhatsApp.
    • Agradecer quando o cliente quiser conferir. A resposta certa é “claro, faz assim”, e não “você não confia em mim?”.

    Agência séria não tem medo de conferência. Ela ensina o cliente a conferir. E o cliente que conferiu uma vez para de desconfiar.

    Slide do carrossel: o que eu faria na agência a partir de hoje, localizador junto com o bilhete, ensinar a abrir a reserva, CNPJ e Cadastur visíveis e agradecer a conferência

    Qual mensagem mandar para o cliente?

    Esta é a mensagem que eu mandaria junto com a emissão. É só trocar o que está entre colchetes:

    Oi, [nome]! Saiu uma notícia de passagens falsas feitas com inteligência artificial, e eu quero que você viaje tranquilo. Toda passagem que eu emito você confere sozinho, em 1 minuto: 1. Abra o site ou o app da [companhia aérea] e procure “Minhas viagens”. 2. Digite o localizador [ABC123] e o seu sobrenome. 3. Confira nome, voos e datas. O número do seu bilhete é [13 dígitos]. Se aparecer qualquer diferença, me chama na hora. Dados da agência: CNPJ [número] · Cadastur [número].

    Eu deixaria essa mensagem salva como resposta rápida no WhatsApp da agência. Leva menos tempo para mandar do que para explicar por telefone.

    Perguntas frequentes

    Como saber se a passagem aérea é verdadeira?

    Abra o site ou o app da companhia aérea, digite o localizador e o sobrenome do passageiro e confira se a reserva aparece com nome, voos e datas certos. Se não aparecer, a passagem não existe.

    O que é o localizador da passagem?

    É o código da reserva, com 6 letras e números. Ele permite abrir a reserva no site ou no app da companhia e acompanhar qualquer mudança no voo.

    Reserva e passagem emitida são a mesma coisa?

    Não. A reserva segura o lugar. A passagem emitida tem número de bilhete, com 13 dígitos. Sem o número, o cliente ainda não tem a passagem paga e emitida.

    Como conferir se a agência de viagens é regular?

    Peça o CNPJ e consulte o cadastro da agência no Cadastur, o cadastro do Ministério do Turismo, no site do próprio Cadastur.

  • Fathom no iPhone: o segundo cérebro do agente de viagens

    Fathom no iPhone: o segundo cérebro do agente de viagens

    O Fathom ganhou um app para iPhone que grava conversa presencial e, quando ela termina, entrega o resumo, quem falou o quê e as tarefas. Eu uso esse app no atendimento e levo o resumo para a nota do cliente no Obsidian. É o meu segundo cérebro: na próxima conversa, eu chego sabendo o que o cliente me disse.

    Resumo rápido

    • O app oficial é da Fathom Video Inc., grátis em todos os planos e, por enquanto, só para iPhone.
    • Você grava com licença do cliente e sai da conversa com resumo e tarefas, em português.
    • No Obsidian, cada cliente vira uma nota ligada à viagem, aos fornecedores e às conversas anteriores.

    Por que o agente esquece o que o cliente conta?

    Porque o cliente conta tudo de uma vez, e quase nunca na ordem que a gente precisa. A data da viagem aparece no meio de uma história sobre o aniversário de casamento. O orçamento vem depois de um “não queremos nada muito caro”. E o detalhe que decide a viagem sai de passagem: “ah, ela enjoa em barco”.

    Quem atende anota o que dá. Num caderno, num bloco, às vezes no guardanapo do café. No dia seguinte, metade virou abreviação que ninguém entende.

    Eu parei de confiar só na memória. Gravando a conversa, eu atendo olhando para o cliente, não para o papel.

    O que o app do Fathom faz no iPhone?

    O Fathom já era conhecido por gravar reuniões online, no Zoom, no Google Meet e no Teams. O app de iPhone resolve a parte que faltava: a conversa que acontece fora do computador.

    • Grava e transcreve a conversa presencial direto do celular.
    • Quando termina, monta o resumo, as decisões e as tarefas sozinho.
    • Separa quem falou em conversas com mais de uma pessoa.
    • Guarda tudo numa biblioteca que você busca e escuta de novo no celular.
    • Responde perguntas sobre conversas antigas (o “Ask Fathom”) e leva você ao trecho exato.

    A interface está em inglês, mas eu testei no meu iPhone e a transcrição sai em português. Reunião online continua sendo gravada pelo app do computador.

    Slide do carrossel de Daniel Turbox: o Fathom agora tem app no iPhone e grava a conversa presencial, com a tela do app gravando

    Como fica o fluxo do atendimento ao segundo cérebro?

    São três passos, e só o primeiro depende de você no momento do atendimento.

    1. Grava a conversa. Você abre o app, avisa o cliente que vai gravar e explica para que serve. Depois, conversa olhando para ele, não para o caderno.

    2. Recebe o resumo. Quando a reunião termina, o Fathom processa e devolve o resumo, quem falou o quê e as tarefas. Num atendimento de lua de mel, por exemplo, as tarefas seriam algo como “cotar três hotéis” e “conferir o passaporte”.

    3. Guarda na nota do cliente. Aqui entra o meu jeito de trabalhar. Eu peço para o Claude ler o resumo no Fathom e levar para o Obsidian, na nota daquele cliente, ligada à viagem e aos fornecedores. Ele faz isso pelo conector do Fathom, sem eu copiar e colar nada.

    Slide do carrossel: o fluxo Fathom grava e resume, Claude leva o resumo, Obsidian guarda na nota do cliente

    O Obsidian é um aplicativo de notas em que uma nota aponta para a outra. Com o tempo, a nota do cliente junta a data da viagem, o orçamento, quem vai junto e aquele detalhe do barco. Quando ele volta seis meses depois para outra viagem, a ficha está ali.

    Onde o agente de viagens usa isso no dia a dia?

    Eu pensaria primeiro nos momentos em que a informação é muita e o tempo para anotar é pouco:

    • Atendimento presencial na agência. O casal que senta para montar a lua de mel conta em uma hora o que levaria dez mensagens no WhatsApp.
    • Feira, famtour e evento. A conversa de corredor com o fornecedor vira nota com o contato, a condição combinada e o próximo passo.
    • Reunião com grupo. Formatura, casamento, viagem corporativa: muita gente falando ao mesmo tempo, e o app separa quem disse o quê.
    • Pós-venda e nova venda. Na hora em que surge a pergunta “o que eu prometi para essa cliente?”, a resposta está gravada.

    Se você aplicar só no atendimento presencial, já vai sentir diferença na proposta que manda depois. Ela chega com o detalhe que o cliente falou e que o concorrente esqueceu.

    Quais cuidados tomar antes de gravar o cliente?

    Dois, e eu não pularia nenhum.

    Peça licença antes de gravar. A conversa tem dado pessoal do cliente, e a LGPD vale para ela. Diga que vai gravar, para que serve e onde fica guardado. Nunca grave escondido. Explicar que é para não esquecer nenhum detalhe da viagem dele já deixa claro que a gravação trabalha a favor do cliente.

    Baixe o app oficial. Na App Store existe cópia com nome parecido, de outra empresa, cobrando caro dentro do app. O oficial é da Fathom Video Inc., grátis em todos os planos do Fathom e, por enquanto, só para iPhone (iOS 18.6 ou mais novo). Não existe versão oficial para Android.

    Slide do carrossel: dois cuidados, peça licença antes de gravar e baixe o app da Fathom Video Inc.

    Gravar o atendimento substitui o CRM da agência?

    Não. O Fathom guarda a conversa. O CRM guarda a venda: proposta, pagamento, emissão. O segundo cérebro fica no meio, com o que o cliente é e o que ele quer.

    Tecnologia como meio, não como fim. A ferramenta só vale se o que você ouviu chega na próxima proposta. Escrevi sobre isso, com mais profundidade, no texto sobre os 5 Cs do agente do futuro, na parte em que falo do contexto.

    Perguntas frequentes

    O app do Fathom para iPhone é pago?

    Não. Segundo a página oficial na App Store, o app vem sem custo extra em qualquer plano do Fathom, inclusive no gratuito.

    O Fathom transcreve em português no celular?

    A interface do app está em inglês, mas no meu teste a transcrição da conversa presencial saiu em português.

    Tem Fathom para Android?

    Não existe app oficial para Android. Os resultados com o mesmo nome na loja do Google são de outros desenvolvedores.

    Preciso usar o Obsidian para aproveitar o Fathom?

    Não. O resumo já serve sozinho. O Obsidian é o meu jeito de juntar tudo por cliente; você pode guardar no CRM ou numa ficha que a equipe consulta.

  • Por que a IA devolve roteiro igual para todo mundo

    Por que a IA devolve roteiro igual para todo mundo

    A IA devolve roteiro igual para todo mundo porque recebe o mesmo pedido de todo mundo. O erro de quem começa a usar inteligência artificial quase nunca está no prompt. Está no que a pessoa esquece de contar: quem vai viajar, o que já conhece, o ritmo, o orçamento e o que marcou a última viagem.

    Resumo rápido

    • Peça um roteiro de 7 dias na Itália sem contexto e você recebe o roteiro que todo mundo recebe.
    • Conte quem é o cliente e a mesma IA devolve outra coisa.
    • Esse contexto já está com o agente: na conversa, no histórico e no que o cliente comentou de passagem.

    Por que a IA devolve o mesmo roteiro para todo mundo?

    Porque ela responde ao que você escreveu, e nada além disso. Quando o pedido é genérico, a resposta é a média de tudo o que existe sobre aquele destino. Para a Itália, a média é Roma, Florença e Veneza, nessa ordem, com os passeios que aparecem em qualquer guia.

    Não tem nada de errado com esse roteiro. Ele só não é de ninguém.

    Eu vejo muita gente trocando de ferramenta, procurando o prompt perfeito, comprando lista de comandos prontos. E o resultado continua parecido. O problema não é a frase. É a falta de informação sobre a pessoa que vai viajar.

    Qual é o teste que eu proponho?

    É simples e leva dois minutos. Abra a IA que você usa e escreva: monte um roteiro de 7 dias na Itália. Leia o que vier.

    Você vai receber o roteiro que todo mundo recebe. Bonitinho, organizado, com horário e dica de restaurante. Tudo igual ao que o seu concorrente recebeu ontem, quando pediu a mesma coisa.

    Slide do carrossel de Daniel Turbox: peça um roteiro de 7 dias na Itália e você recebe o roteiro que todo mundo recebe, com uma pilha de roteiros impressos idênticos

    Agora faça o segundo pedido, contando quem vai viajar. A mesma inteligência artificial vai te devolver uma outra coisa. É nessa diferença que mora a parte que interessa para quem vende viagem.

    O que contar para a IA sobre o cliente?

    Comece pelo que você já perguntaria num bom atendimento. No vídeo, eu uso o exemplo de um casal. Antes de pedir o roteiro, conte:

    • Quem é esse casal. Idade aproximada, se é a primeira viagem juntos, se é uma comemoração.
    • O que eles já conhecem. Quem já foi a Roma não quer gastar dois dias na fila do Coliseu de novo.
    • Se gostam ou não de acordar cedo. Isso muda a ordem dos passeios e o número de atividades por dia.
    • Quanto querem gastar. Não precisa do valor exato. Uma faixa já muda hotel, transporte e restaurante.
    • O que marcou a última viagem deles. É a pista mais valiosa: mostra o que eles chamam de viagem boa.
    Checklist do carrossel: o que eles já conhecem, se gostam ou não de acordar cedo, quanto querem gastar e o que marcou a última viagem

    Na prática, o pedido fica parecido com isto: “Monte um roteiro de 7 dias na Itália para um casal que já conhece Roma, não gosta de acordar cedo, quer gastar numa faixa intermediária e lembra da última viagem pela comida e pelas cidades pequenas.” Repare que o comando é o mesmo. O que mudou foi o que veio junto com ele.

    Onde está esse contexto na sua agência?

    Essa é a parte boa. O contexto, eu te garanto, já está com você. Está na conversa que você teve com o cliente, no histórico dele, naquilo que ele comentou de passagem enquanto vocês falavam de outra coisa.

    Slide do carrossel: esse contexto já está com você, na conversa com o cliente, no histórico dele e no que ele comentou de passagem

    O problema é que, em muita agência, esse contexto mora na cabeça de quem atendeu. Ou perdido no meio de um WhatsApp com meses de mensagens. Quando a viagem seguinte chega, ninguém lembra que aquele cliente detesta acordar cedo.

    Por isso eu insisto num hábito pequeno: anotar o que o cliente conta, num lugar que a equipe consulta. Pode ser um CRM, uma planilha ou uma ficha simples. O formato importa menos do que a disciplina de registrar. É esse registro que você vai entregar para a IA quando for montar a próxima proposta.

    A IA vai substituir o agente que conhece o cliente?

    Minha tese é o contrário. A IA é tão boa quanto o contexto que você dá para ela. E quem tem o contexto é quem conversa com o cliente.

    Frase do carrossel: a IA é tão boa quanto o contexto que você dá para ela

    Qualquer pessoa consegue pedir um roteiro genérico. O que separa o agente é saber o que perguntar, guardar o que ouviu e transformar isso num pedido bem contado. A ferramenta acelera o trabalho. A leitura do cliente continua sendo sua.

    Eu chamo isso de muito além do prompt. Escrevi sobre esse mesmo princípio, com mais profundidade, no texto sobre os 5 Cs do agente do futuro, na parte em que falo do contexto como o iceberg embaixo do prompt.

    Perguntas frequentes

    Qual é o melhor prompt para pedir um roteiro de viagem para a IA?

    Não existe frase mágica. Um pedido simples com bom contexto (quem viaja, o que já conhece, ritmo, orçamento e o que marcou a última viagem) rende mais do que um comando sofisticado sem informação sobre o cliente.

    Posso colocar dados do cliente na IA?

    Coloque preferências, não documentos. Para montar o roteiro, a IA precisa saber do que o casal gosta, e não de nome completo, CPF ou número de passaporte. Isso protege o cliente e a sua agência.

    Isso vale para qualquer ferramenta de IA?

    Vale. O princípio é o mesmo em qualquer assistente: ele responde ao que recebe. Quanto mais claro o contexto, mais a resposta se parece com o cliente que você tem na frente.

    Quanto contexto é suficiente?

    Comece pelas cinco perguntas do teste. Se a resposta ainda vier genérica, falta informação sobre a pessoa, não sobre o destino. Acrescente o que você descobriria numa conversa boa de atendimento.

  • Golpe de voz clonada: o que orientar antes da viagem

    Golpe de voz clonada: o que orientar antes da viagem

    Para evitar o golpe de voz clonada em viagem, combine duas coisas com o cliente antes do embarque. Uma palavra-código com a família. E uma regra: ligação urgente pedindo dinheiro se desliga, e a confirmação é feita ligando de volta para o número que já está salvo.

    Resumo rápido

    • Para clonar uma voz basta um áudio curto, que pode sair de algo publicado na internet, como um vídeo.
    • A defesa não é reconhecer a voz: é a palavra-código e a ligação de volta para o número conhecido.
    • Na agência, dado de pagamento não muda por áudio nem por ligação sem confirmar no contato do cadastro.

    O que é o golpe de voz clonada?

    É a ligação de emergência falsa feita com a voz de alguém da família, gerada por inteligência artificial. Quem atende ouve o filho, a mãe ou o neto pedindo ajuda e reage como qualquer pessoa reagiria: tenta resolver na hora.

    A Fox News contou, no dia 7 de outubro, o caso de uma mãe na Califórnia que ouviu a filha chorando ao telefone. Ela ficou cinco horas e meia na linha com o golpista e fez quatro transferências com todo o dinheiro que ela e o marido tinham disponível. A filha estava no trabalho, bem. A mãe acredita que ouviu uma versão da voz dela feita por IA.

    O que mais me chama atenção é o pouco que o golpe exige. Segundo o alerta da FTC, o órgão de defesa do consumidor dos Estados Unidos, o golpista precisa de um áudio curto da voz da pessoa, que pode sair de algo publicado na internet, e de um programa de clonagem. Só isso.

    Slide com o alerta da FTC: para clonar a voz, basta um trecho curto de áudio da pessoa, que pode sair de algo publicado na internet

    Por que isso entra na orientação pré-viagem?

    Porque a viagem junta tudo o que o golpe precisa. O viajante está longe, às vezes em outro fuso, com o celular no modo avião ou sem sinal. A família em casa demora a conseguir falar com ele. E, no meio da viagem, todo mundo posta vídeo: a voz fica publicada, pronta para quem quiser copiar.

    Não estou dizendo que todo cliente vai receber uma ligação dessas. Estou dizendo que a agência já faz a orientação pré-viagem. Já explica documento, seguro, bagagem, horário de apresentação no aeroporto. Cinco minutos a mais sobre a voz clonada cabem nessa conversa sem assustar ninguém.

    E tem um ganho que vai além da segurança. O cliente percebe que a agência pensou num risco que ele nem sabia que existia. Esse é o tipo de cuidado que diferencia quem vende viagem de quem só emite bilhete.

    O que orientar o cliente a combinar com a família?

    Quatro combinados simples, de preferência por escrito, junto com os documentos da viagem.

    • Uma palavra-código. Uma palavra ou frase que só a família conhece e que nunca apareceu em rede social. A recomendação é do FBI. Quem liga pedindo ajuda tem que saber a palavra.
    • Ligação urgente pedindo dinheiro se desliga. Sem discutir, sem negociar. A pressa é a ferramenta do golpista.
    • A confirmação é ligar de volta. Para o número que já está salvo no celular, nunca para o que ligou. É o que a FTC recomenda: não confiar na voz e falar com a pessoa num número que você sabe que é dela. Se não conseguir, tentar por outro parente ou amigo.
    • Roteiro e telefone do hotel com quem fica. Se o viajante não atende, a família tem outro caminho para confirmar que está tudo bem.
    Slide com o combinado com a família antes de embarcar: palavra-código, desligar a ligação urgente pedindo dinheiro, ligar de volta no número salvo e deixar o roteiro com quem fica

    Vale também ensinar dois sinais de alerta. O primeiro é o pedido de segredo: “não conta para ninguém”. O segundo é a forma de pagamento. A FTC cita transferência, criptomoeda e cartão-presente como meios que golpistas preferem, porque o dinheiro é difícil de recuperar.

    Na prática, a mensagem pode ser curta. Algo como: “Antes de embarcar, combine com a sua família uma palavra-código. Se alguém ligar com a sua voz pedindo dinheiro com urgência, a regra é desligar e ligar de volta para o seu número salvo. Deixamos com você o roteiro e o telefone do hotel para entregar a quem fica.” Adapte ao jeito da sua agência e mande junto com o voucher.

    Slide com a palavra-código, a pergunta que o clone não responde, e um bilhete na geladeira com a palavra coberta por um adesivo roxo

    E dentro da agência, o que muda?

    A mesma lógica vale para o balcão e para o WhatsApp da agência. A regra que eu proponho é uma só: dado de pagamento não muda por áudio nem por ligação sem confirmação no contato que está no cadastro.

    Pense em três situações. O “cliente” manda um áudio pedindo para trocar o cartão da reserva. Um “fornecedor” liga avisando que a conta para depósito mudou. Alguém da família do passageiro pede para mandar o reembolso para outra chave pix. Em todas, o caminho é o mesmo: agradecer, não mexer em nada e ligar para o contato que já estava registrado antes do pedido.

    Slide com a regra da agência: dado de pagamento não muda por áudio, e a confirmação é feita no contato do cadastro

    Uma dica que funciona bem: avisar o cliente com antecedência. Uma linha na proposta ou no contrato, dizendo que a agência nunca pede mudança de pagamento por áudio ou ligação. Assim, se alguém tentar usar o nome da agência, o cliente já sabe que tem algo errado.

    Isso não depende de ferramenta nenhuma. Depende de a equipe inteira conhecer a regra e de ninguém abrir exceção porque “a voz era igualzinha”.

    Uma chamada de vídeo resolve a dúvida?

    Hoje ajuda, mas eu não colocaria a segurança da família nela. A tecnologia de vídeo ao vivo está avançando rápido. A Tavus publicou no dia 1º de outubro um teste do Griffin, um modelo ainda em prévia de pesquisa: 48% das pessoas que conversaram com ele acharam que tinham falado com um humano. Foram 26 de 54 participantes. No modelo anterior da empresa, eram 2,4%.

    Slide com o teste da Tavus: 48% acharam que conversavam com uma pessoa de verdade, contra 2,4% no modelo anterior

    Por isso a orientação não pode depender de reconhecer voz ou rosto. Depende de um combinado que a máquina não adivinha e de um gesto que o golpista não controla: desligar e ligar de volta.

    A IA vai continuar melhorando. A regra continua simples. E quem explica essa regra para o cliente, antes de ele viajar, é o agente de viagens.

    Perguntas frequentes

    Como saber se a voz ao telefone é clonada por IA?

    Muitas vezes não dá para saber pelo som. Por isso a recomendação é não confiar na voz: desligar e ligar de volta para o número que você já tem salvo, ou pedir a palavra-código combinada.

    Quanto áudio é preciso para clonar uma voz?

    Segundo a FTC, um áudio curto basta, e ele pode sair de conteúdo publicado na internet, como um vídeo em rede social.

    O que é a palavra-código da família?

    É uma palavra ou frase secreta, combinada antes, que só a família conhece. Quem liga pedindo ajuda precisa saber a palavra. O FBI recomenda o combinado para confirmar a identidade de quem liga.

    A agência de viagens deve falar disso com o cliente?

    Eu acredito que sim. A orientação pré-viagem já cobre documento, seguro e bagagem. Cinco minutos sobre a voz clonada protegem o cliente e a família dele, e mostram que a agência cuida de detalhes que ninguém mais lembrou.

  • Reforma tributária e passagem aérea: o que eu faria agora

    Reforma tributária e passagem aérea: o que eu faria agora

    Sim, a passagem aérea deve ficar mais cara com a reforma tributária. Quem avisou foi o CEO da Latam Brasil, e a mudança começa aos poucos em 2027. No seu lugar, eu avisaria o cliente antes da primeira cotação mais cara, com fonte e prazo, sem chutar porcentagem.

    Resumo rápido

    • A Latam diz que a passagem sobe com a reforma, de forma gradual, a partir de 2027. Nenhuma das fontes que eu acompanhei traz percentual.
    • Se o preço subir antes disso, o motivo ainda não é a reforma. Não use ela como desculpa.
    • Meu método tem três pontos: quem disse, quando começa e o que ainda não se sabe. Mais abaixo tem mensagem pronta para copiar.

    O que eu sei sobre a reforma e a passagem aérea (e o que ninguém sabe)

    Três coisas, e todas vieram de quem está dentro do setor.

    A primeira: o CEO da Latam Brasil, Jerome Cadier, disse que a tributação sobre a venda de passagens aumenta com a reforma e que o passageiro vai pagar mais caro. A fala saiu na PANROTAS.

    A segunda é o prazo. A implementação começa em 2027 e avança ao longo dos oito anos seguintes.

    A terceira é o que ainda falta: ninguém sabe quanto. A Alagev, associação das viagens corporativas, colocou a reforma entre os cinco desafios para o futuro das viagens e avisou que a alíquota sozinha não conta a história. O que vai pesar é como cada serviço for tributado e quais créditos puderem ser aproveitados.

    A direção está dada. O tamanho, não.

    Tem um detalhe que eu não deixaria passar. Na mesma ocasião, Cadier contou que a Latam paga hoje 90% a mais pelo combustível de aviação do que antes do início da guerra, em meio à crise no Oriente Médio. Se a passagem do seu cliente subir antes de 2027, a reforma ainda nem começou a valer.

    Por que eu trato isso como assunto de balcão, e não só de contador

    Porque quem vai ouvir “por que ficou mais caro?” não é o contador. É quem atende o cliente no WhatsApp.

    Meu primeiro emprego no turismo foi na central de reservas da TAM, aos 17. Já são 25 anos dos dois lados: o de quem atende o cliente e o de quem constrói as ferramentas que o atendente usa. Se esse tempo me deixou uma convicção, é esta: o cliente aceita preço alto quando entende o motivo. O que ele não aceita é surpresa.

    Acontece que o seu cliente não lê a PANROTAS. Não sabe o que é IBS nem CBS, e nem precisa saber. Ele só vai ver um número maior do que esperava e tirar a conclusão mais rápida, que também é a pior para você: “a agência ficou cara”.

    Daí para o “achei mais barato” é um passo.

    Quem já atendeu balcão conhece essa frase de cor. Às vezes o cliente achou mesmo, às vezes comparou coisas diferentes. Tanto faz. A confiança já saiu da conversa.

    É a mesma lógica do voo atrasado. O passageiro avisado cedo fica chateado; o que descobre no portão fica furioso, e com razão. A informação é a mesma, só muda o momento. Dita antes, soa como cuidado. Dita depois, soa como desculpa.

    Olha só como os grandes estão encarando isso. A Meliá reuniu os conselheiros dos seus hotéis no Brasil com especialistas em tributação, segundo a Revista Hotéis. Na pauta, ao lado de carga tributária e estrutura societária, estava a capacitação das equipes.

    Uma rede hoteleira colocou treinamento de gente na mesma lista de imposto. Para mim, isso mostra onde a reforma vai aparecer: na ponta, na conversa com o cliente.

    Como eu explicaria a reforma tributária para o cliente

    A lógica é simples: falar da direção, do prazo e da fonte, sem prometer número. Você não precisa virar especialista em tributo. Precisa chegar antes.

    Eu organizaria a conversa em três pontos:

    • Quem disse. “O CEO da Latam Brasil já avisou que a passagem vai ficar mais cara com a reforma.” Citar a fonte tira o peso das suas costas: quem falou foi a companhia aérea, não a agência.
    • Quando começa. Em 2027, aos poucos, ao longo de vários anos. O prazo tira o tom de alarme.
    • O que ainda não se sabe. Quanto vai subir. Dizer isso com calma passa mais segurança do que inventar um percentual que amanhã pode estar errado.

    Na prática, uma mensagem curta resolve. Pode copiar e ajustar ao seu jeito de falar:

    “Oi, [nome]! Uma informação para você já saber antes da próxima viagem: com a reforma tributária, o CEO da Latam Brasil avisou que a passagem aérea vai ficar mais cara. A mudança começa em 2027 e é gradual, então ainda não tem número fechado. Eu estou acompanhando e, quando a gente for cotar, te mostro o que mudou e por quê.”

    Repara no que a mensagem não tem: percentual, tecnicês e pânico. O que ela tem é fonte, prazo e um agente que se mostra atento.

    É disso que o cliente vai lembrar quando o preço mudar.

    Três perguntas que vão chegar no seu WhatsApp

    Dúvida de cliente não chega em forma de aula. Chega curta. Por isso eu deixaria estas três com resposta pronta na mão de quem atende.

    “Já é por causa da reforma?”

    Antes de 2027, não. Preço de passagem muda por vários motivos, e o próprio CEO da Latam citou o combustível como peso grande na conta da companhia hoje. Usar a reforma como desculpa para o preço de agora é o jeito mais rápido de perder credibilidade, porque uma hora o cliente descobre que ela nem tinha começado.

    “Então é melhor eu comprar tudo agora?”

    Aqui mora a tentação de usar a reforma para apressar a venda.

    Eu não faria isso. Ninguém sabe ainda quanto a passagem vai subir, e venda empurrada pelo medo costuma voltar como cliente desconfiado. Se a viagem já está decidida, compre quando fizer sentido para a viagem. Se não está, a reforma não é motivo para decidir na pressa.

    “Isso muda o nosso contrato?”

    Essa vem do cliente corporativo, e eu não esperaria ela chegar. A Alagev fala em atenção a custos, créditos tributários e processos de contratação durante a transição. Se você atende empresa, puxe o assunto com o gestor de viagens agora, antes da renovação. A resposta fiscal pode vir depois, com o contador. O que conta agora é ele perceber que você está olhando para isso junto com ele.

    O que eu faria na agência a partir desta semana

    Nada disso exige sistema novo nem consultoria cara. São quatro movimentos:

    • Uma resposta só para a equipe. Salve a mensagem acima como resposta rápida no WhatsApp. Assim ninguém improvisa a própria versão.
    • Uma lista de quem avisar primeiro. Comece pelos clientes que viajam todo ano. São eles que vão comparar com o que pagaram da última vez.
    • Uma conversa com o seu contador. Segundo a Alagev, agências estão entre os segmentos com regime específico do IBS e da CBS. Eu levaria três perguntas: como esse regime se aplica à minha agência, que créditos vou poder aproveitar e o que muda nos meus processos de contratação.
    • Um lembrete no calendário. A implementação avança por oito anos. Uma mensagem só não resolve; volte ao assunto quando surgir novidade de fonte confiável.

    O detalhe fiscal fica com quem entende de tributo. A conversa com o cliente fica com você.

    O erro que eu mais temo é o agente esperar ter todas as respostas para só então falar. Aí o cliente já viu a cotação mais cara, já pesquisou sozinho e já tirou a conclusão dele.

    Se este texto fez sentido, manda para aquele colega de agência que ainda não tocou nesse assunto com os clientes. Alguém vai ser a pessoa que o cliente procura quando ouvir falar da reforma. Eu prefiro que seja um agente de viagens.

    Perguntas frequentes

    A reforma tributária vai deixar a passagem aérea mais cara?

    Segundo o CEO da Latam Brasil, sim. Ele afirmou que a tributação sobre a venda de passagens aumenta e que o passageiro vai pagar mais caro a partir da implementação.

    Quando a reforma tributária começa a pesar no preço da viagem?

    A implementação começa em 2027 e avança ao longo dos oito anos seguintes, pela fala de Cadier. A Meliá também trata 2027 como o início das mudanças.

    Quanto a passagem aérea vai subir com a reforma?

    Nenhuma das fontes citadas aqui traz percentual. O efeito depende de como cada serviço será tributado, então eu não prometeria número ao cliente.

    O que o agente de viagens deve fazer agora?

    Avisar o cliente antes da cotação, com fonte e prazo, e combinar uma resposta só com a equipe. A parte fiscal da agência é conversa para ter com o contador.

  • Black Friday de viagem se vende em outubro

    Black Friday de viagem se vende em outubro

    A Black Friday de viagem se vende em outubro, não em novembro. A oferta vem da operadora e já está sendo montada. O que decide a venda é a agência ter, antes disso, a lista de clientes separada, o interesse de cada um anotado e a mensagem pronta.

    Resumo rápido

    • As operadoras já estão montando a Black Friday, e a Orinter, por exemplo, prepara a dela com os principais fornecedores.
    • A oferta chega igual para todas as agências. A lista de clientes, não.
    • Meu checklist tem quatro passos para esta semana, e mais abaixo tem uma mensagem de WhatsApp pronta para copiar.

    Por que a Black Friday de viagem começa em outubro?

    Porque a oferta está sendo montada agora. E quem monta não é a agência.

    Um exemplo deste mês: a Orinter contou à PANROTAS que prepara com os principais fornecedores uma Black Friday para vender mais Estados Unidos, destino que já responde por 30% das vendas internacionais da operadora. A promessa é que seja a maior da história dela. E tem campanha que nem esperou novembro: a parceria com a UneHouses já está valendo e vai até 20 de janeiro.

    A promoção vai chegar.

    A pergunta que eu faria na sua agência é outra: quando ela chegar, para quem você vai mandar?

    O que acontece com a agência que espera a oferta chegar?

    Ela repassa promoção. E repassar promoção qualquer agência consegue fazer, no mesmo minuto que você.

    O roteiro costuma ser este: a arte da operadora chega, a agência posta no status, dispara para todos os contatos e espera. Quem responde só quer saber o preço.

    Repara no problema. Essa oferta chegou igual para todas as agências que vendem a mesma operadora: mesmo produto, mesma condição, mesma arte. Se você só tem o preço para mostrar, a disputa vai ser por preço, e nela sempre aparece alguém disposto a cortar mais a margem.

    Agora pense num cliente que pediu orçamento de Orlando para as férias de julho e não fechou porque achou caro. Quando a condição especial sair, uma mensagem com o nome dele, o destino que ele queria e a época que ele falou não é propaganda. É a continuação de uma conversa que ficou parada.

    A oferta é a mesma para todo mundo. O contexto, não.

    É a lógica do check-in online. O voo sai no mesmo horário para todos os passageiros, mas quem resolveu tudo antes vai direto para a sala de embarque. Em novembro, a agência que preparou a lista em outubro já está lá dentro enquanto as outras ainda estão na fila.

    Slide do carrossel de Daniel Turbox comparando a agência que espera a oferta da operadora e repassa promoção com a agência que preparou tudo em outubro e vende viagem

    O que a agência de viagens precisa fazer antes da Black Friday?

    Quatro passos. Nenhum depende de desconto, e todos cabem nesta semana.

    1. Separe a lista de quem já levantou a mão

    Comece pelos clientes que já mostraram interesse e não compraram. Abra o WhatsApp, o e-mail e o sistema que você usa, e procure três grupos:

    • Quem pediu orçamento e não fechou. É o grupo mais quente, porque já disse para onde quer ir.
    • Quem viaja todo ano. Esse cliente vai viajar de qualquer jeito. A pergunta é se vai comprar com você.
    • Quem já te disse “um dia eu vou”. Às vezes a condição da Black Friday é o empurrão que faltava para o “um dia” virar data marcada.

    Para isso, uma planilha simples já resolve.

    Checklist de Black Friday para agência de viagens, passo 1 de 4: separar a lista de clientes que pediram orçamento e não fecharam, que viajam todo ano ou que dizem que um dia vão viajar

    2. Anote o que cada cliente quer

    Para cada nome da lista, quatro informações: destino, época, com quem viaja e quanto pensa gastar. Eu acrescentaria uma quinta coluna, a que mais ajuda: por que não fechou.

    Se foi preço, a Black Friday é a resposta. Se foi data, férias que não saíram ou documento pendente, a promoção não muda nada, e mandar oferta para essa pessoa só gasta a paciência dela.

    Essa anotação é o que leva a oferta certa para a pessoa certa. Sem ela, volta o disparo para todos.

    3. Estude o produto antes de a oferta chegar

    Vá à capacitação da operadora agora, e não na semana da campanha. A própria Orinter reuniu agentes do Triângulo Mineiro em Uberlândia, no dia 6, para falar de Flórida, motorhome e casa de férias.

    Não foi só parque temático. Quem conhece o produto consegue oferecer o motorhome para a família que gosta de estrada, ou a casa de férias para o grupo grande que não quer se dividir em vários quartos de hotel.

    Quem não conhece o produto repassa o preço. Quem conhece vende a viagem.

    E pergunte ao seu contato comercial na operadora o que já dá para adiantar: destinos, fornecedores e como vai funcionar o apoio à agência durante a campanha.

    4. Deixe o atendimento pronto

    No dia da campanha, ninguém deveria estar escrevendo mensagem do zero. Deixe pronto agora:

    • uma mensagem escrita para cada perfil de cliente da sua lista;
    • a divisão da equipe, com quem responde cada grupo e quem fecha a venda;
    • as respostas rápidas salvas no WhatsApp Business, para ninguém improvisar a própria versão.

    Assim, quando a oferta chegar, só falta entrar o preço.

    Checklist de Black Friday para agência de viagens, passo 4 de 4: deixar o atendimento pronto, com mensagem escrita para cada perfil de cliente e a equipe sabendo quem responde o quê

    Qual mensagem mandar para o cliente antes da Black Friday?

    Uma mensagem que fala da viagem dele, não da promoção. Em outubro você ainda não tem preço, e nem precisa: o objetivo é confirmar se o interesse continua e pedir licença para avisar primeiro.

    Pode copiar e ajustar ao seu jeito de falar:

    “Oi, [nome]! Lembrei de você porque as operadoras estão preparando as condições de Black Friday. [Destino] em [época] ainda está nos seus planos? Se estiver, me conta quem vai junto que eu já deixo tudo separado e te aviso primeiro quando as condições saírem.”

    Ela não promete desconto nem porcentagem, porque você ainda não sabe qual vai ser a condição. O que ela leva é o nome da pessoa, o destino que ela queria e a prova de que alguém lembrou dela.

    Quem responder que sim vai para o topo da lista. Quando a condição sair, a segunda mensagem é curta:

    “[Nome], saiu a condição que eu te falei. Separei uma opção para [destino] em [época] para [quantas pessoas]. Te mando os detalhes?”

    Duas mensagens. Nenhuma delas é post genérico.

    Os erros que eu evitaria na Black Friday de viagem

    O primeiro é anunciar desconto antes de a operadora confirmar a condição. Promessa que não se cumpre vira cliente desconfiado, e cliente desconfiado não volta na próxima viagem.

    O segundo é achar que a Black Friday é a única venda do fim do ano. Outubro também é a reta final para quem vai viajar no Réveillon e em janeiro, e a mesma lista serve para essas conversas.

    O terceiro é esquecer a lista em dezembro.

    Ela fica com a agência quando a campanha da operadora acaba. Quem comprou na promoção é o cliente da próxima viagem. Quem não comprou agora pode voltar nas férias de julho, se o motivo estiver anotado.

    A oferta é da operadora. A lista de clientes é sua.

    Se este texto fez sentido, manda para quem vende com você e combina de separar a lista ainda esta semana. Em novembro, eu quero ver agente de viagens vendendo viagem, e não só repassando promoção.

    Perguntas frequentes

    Quando a agência de viagens deve começar a se preparar para a Black Friday?

    Em outubro, antes de a oferta chegar. As operadoras já estão montando as condições, e a agência precisa desse tempo para separar a lista, anotar o que cada cliente quer e estudar o produto.

    O que a agência precisa ter pronto antes da Black Friday de viagem?

    A lista de quem já mostrou interesse, o que cada cliente quer, o produto estudado com a operadora e as mensagens escritas por perfil. No dia da campanha, só falta entrar o preço.

    Posso anunciar desconto antes de a operadora divulgar a condição?

    Eu não faria. Sem a condição confirmada, qualquer número é chute. Em outubro, o melhor é confirmar o interesse do cliente e avisar que ele vai saber primeiro.

    Para quem mandar as ofertas de Black Friday da agência?

    Para quem já mostrou interesse naquele destino ou naquela época, com uma mensagem que cita a viagem da pessoa. Mandar a mesma arte para todos os contatos coloca a sua agência numa disputa só de preço.